
25/12/09
Poesia pra viver

24/12/09
Eu preciso ir embora

Queria curtir o momento
Com sentimento.
Mas sem grude,
Sem grilo.
Só um instante:
Guardado na memória,
Sem arranhões,
Sem culpa,
Para sempre.
Como mágica (ou bruxaria).
Queria fazer uma obra capaz de durar.
Uma ponte (que reduza pela metade a distância)
Dura.
Ela é dura.
(She is heavy)
E eu,
Duro.
Porque homens não choram,
Nem brincam de boneca.
Cada momento um presente
E uma esperança.
Nada se esvai,
Nem seu cabelo.
E o presente não passa
Na minha cabeça.
E eu fico meio vermelho,
Como a bandeira da Polônia.
Eu preciso ir embora.
24/11/09
Direito Constitucional Revolucionário?

23/11/09
Instituto Rio Branco

15/11/09
Contradições?

17/10/09
Leis

13/10/09
Correr e lutar

06/10/09
Honduras: o impasse caribenho

08/09/09
11/09 - O dia em que a Terra parou

06/09/09
Fé no futuro

01/09/09
Velhas novidades

Passa o tempo

20/07/09
Futuro Já Passado

Como viver o agora sem lembrar do ontem?
E como viver o já sem sem sonhar com o que virá?
E virá?
Verás.
Fui um dia alguém que queria ser eu.
Hoje sou eu querendo ser alguém.
Um sujeito indefinido.
Quase ninguém.
Afinal, ser alguém (ou ninguém) é ser livre.
No final, acho que quero mesmo é a liberdade.
A liberdade de não ser ninguém.
Ser livre para me entregar.
19/07/09
Em busca da cidade ideal

26/05/09
Mercantilização da Medicina e da Saúde Pública
De 26 a 28/05 o tema em debate no Unicuritiba será a Mercantilização da Medicina e da Saúde Pública, conforme cartaz ao lado. Nos vemos lá. Abraços!
05/05/09
Ideologias

Administração é para administradores.
Engenharia é matemática.
Medicina é para Poucos.
Direito é de todos.
25/04/09
O que caiu com o muro de Berlim?
16/04/09
Reforma Agrária no Brasil
05/04/09
Nossos Rumos Meus

Olho pra trás e vejo um rastro.
20/03/09
Revolução Cubana
A propósito dos 50 anos da Revolução Cubana, realizaremos dia 25/03, no Unicuritiba, uma palestra com o prof Renato Carneiro, professor de História da América Latina do curso de Relações Internacionais do Unicuritiba.11/03/09
Perder ou ganhar sozinho

Havia uma brincadeira que meu pai sempre fazia sobre um amigo dele que era maratonista, que era dizer o seguinte em tom de deboche: "Fulano, chegou em segundo lugar na São Silvestre na categoria dele. (Pausa para a reação de surpresa do interlocutor) Só havia dois competidores". A brincadeira do jeito que era feita, com a ênfase que ele dava, se tornava mortal, todo mundo caía na risada. Mas é claro que se tratava de uma piadinha de mau gosto porque zombava da capacidade (ou até da competência) dos outros.
08/03/09
Mundo acelerado
Causa-me temor os avanços da contemporaneidade.25/01/09
Tortura
E me entorta.
Você me dobra!
Você é sujo
E me suja.
Eu te olho!
Você é grosso
E me engrossa.
Você me choca!
Você me conhece a fundo
E eu te conheço.
Você me olha!
Meia vida
Não é meia morte
É inteira.
Minha vida não é minha,
Mas também não é sua.
Paulada!
Sua tortura me tortura.
24/01/09
Carnaval

Como a folia diria:
16/01/09
12/12/08
O sentido do público

Ontem publiquei uma poesia em que tratava o termo "público" em seus distintos sentidos, confundindo propositadamente seus significados. Aproximando e afastando os diferentes sentidos de "público". Na verdade, o que me inspirou foi algo que me revoltou, foi saber que o termo "público(a)" quando usado como qualificativo no Brasil, desqualifica: como em educação pública, saúde pública, concurso público etc.
11/12/08
O Público

30/07/08
Sobre orgulho próprio

05/05/08
Viver-Sonhar-Viver

Se a vida não fosse como é...
24/04/08
Carta a um amigo
29/02/08
Homenagem

UM BRINDE A VOCES!!!
11/01/08
Derrotas e Vitória
09/01/08
03/01/08
Pare tudo agora!
01/01/08
Re-ver e re-viver!

Foi um ano como muitos, cheio de alegrias e com algumas tristezas. Pensar no que passou, fazer um balanço da vida até aqui, das coisas boas e ruins que aconteceram nos últimos 365 dias, é mais um daqueles exercícios de que não podemos escapar. Qual foi o saldo de tudo que passou?
O exame de nossas experiências depende, entre outras coisas, de saber quão marcante uma experiência foi na nossa vida e, mais ainda, de saber o grau de importância que demos a algumas delas, seja considerando-as boas ou ruins. Quer dizer, uma experiência pode ser importante pra mim porque eu atribuo maior valor àquela experiência que a outra.
Mas nenhuma avaliação do que passou deve levar em conta só o que passou. Nenhuma retrospectiva do ano deve deixar de levar em conta também o presente. Nenhum balanço do ano deve deixar de lado o fato de que ainda estamos vivos. Com ou sem saúde, estar vivo é ter a possibilidade de novas experiências, agradáveis ou não, de novos dias e de, no futuro, realizar outras avaliações da vida.
Enfim, qualquer que seja o peso que atribuamos a uma experiência negativa que vivemos, o balanço do ano tem de ser sempre positivo, porque ainda há vida. A vida é o que há de mais importante a avaliar. Mesmo que algumas vidas tenham se perdido durante o ano, temos que lembrar que temos a chance de recordar e avaliar. Pensar no que ficou de quem se foi e em quem ficou. Estar vivo é presente. É um presente. Não se trata de uma perspectiva egoísta do tipo "o que importa é que estou vivo!" Mas como quem lembra que a morte nos ensina a vida, precisamos continuar a viver, a aprender, a avaliar e a viver. A vida se renova quando se aprende com ela. Não estou dizendo que é fácil, mas é necessário: Re-ver e Re-viver! Feliz ano novo!
PS: Homenagem a alguns amigos que perderam entes queridos no ano que passou. Estamos juntos no enfrentamento da dor e da saudade!
15/11/07
Deus não está

11/11/07
Palavras

Uma pala lavra.
06/11/07
Escrita objetiva

05/11/07
Preferir

Ferir [machucar, marcar].
Machucar antes.
Marcar antes?
Como uma questão de múltipla escolha
Cuja resposta é a marca.
Marcar na folha.
Marcar uma resposta
Ou outra.
Machucar o papel
E deixar a marca na opção escolhida.
Um X,
Um círculo
Ou uma marquinha qualquer.
Uma marquinha.
Uma marca na folha.
O quanto antes terminar de marcar,
Melhor.
Antes.
Marcar a resposta
Antes de continuar.
Uma a uma.
Marcar a resposta,
Escolher.
Pode ser certa
Ou errada.
Marcar a resposta,
Preferir.
Preferir é escolher.
Mas o que leva a preferir?
Prefiro não dizer.
Quero fazê-lo pensar.
Pense nos fatores
Que levaram você a continuar.
Continue pensando.
De onde vem suas preferências?
De onde vem suas escolhas?
São suas?
O que você prefere?
Preciso ir.
Prefiro questionar.
E você.
E você?
06/10/07
Tem gente que não é gente

05/10/07
Sonhos

07/09/07
Temporal

06/09/07
Não compreendo tudo
Não compreendo muitas coisas na vida: são coisas incompreensíveis mesmo ou eu que não consigo dar sentido a essas coisas?!
Sei que nem tudo é pra ser compreendido. Do contrário, não haveria tempo pra viver.
Desencana!
05/09/07
Refletir

Refletir é uma atitude
De observação e questionamento.
Não é só contemplação.
É também flexão.
Re-flexão.
Refletir é sempre auto-reflexão:
É como olhar-se no espelho antes de sair
E considerar as belezas e feiuras,
Os acertos e erros.
E mais:
Não só olhar para si próprio no espelho,
Mas também para o seu entorno.
Pode haver roupas espalhadas,
Utensílios empoeirados,
Móveis,
Pessoas.
Há sempre pessoas.
Você não precisa olhar para dentro delas
(cada um se auto-examine),
Mas para as relações e experiências mantidas por elas.
O que essas relações e experiências alheias
Podem me ensinar?
Como podem me ensinar?
Refletir é um verbo,
É uma atitude de observação
E crítica
(auto-crítica).
Refletir é uma prática.
Vamos tentar?
25/07/07
Foto na Parede

24/07/07
Novo Amanhecer

Ainda que problemas existam,
Ainda que o hoje seja sombrio
E o agora duvidoso,
Ainda que as normas falhem,
Ainda que...
Existe você, professor!
Que luta pra criar.
Que cria pra lutar.
Que ama ensinar.
E ensina a amar.
Existe você, professor!
Que ao sabor do deve-não-deve,
Ao sabor do pode-não-pode,
Dá sempre o melhor de si:
Abre caminhos,
Passa sozinho.
E descobre
Que ainda há muito por fazer!
Ah, professor,
Há muito que ensinar,
Há muito que aprender,
Há muito a transformar,
Enquanto se espera com fé
Um novo amanhecer!
Nele será indispensável,
Você!
Juntos vamos caminhar,
Vamos lutar
E transformar.
Juntos vamos buscar,
Cada dia,
Esse novo amanhecer!
23/07/07
Escola

11/07/07
Tarefas, reflexões e humildade

29/06/07
Aniversário

Aniversário
É tempo de compartilhhar,
De estar com,
De dividir
E celebrar.
Viva!
Vivamos!
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Mesmo que distantes, podemos curtir juntos esse momento alegre. Conto com seu carinho, sempre.
...
Um forte abraço pra você.
27/06/07
Ralo

26/06/07
Matamos Felinho!!

Felinho nasceu igual a todos:
Foi bebê, criança e adolescente.
Mas nunca foi gente.
Nasceu numa família batalhadora.
Que nunca precisou de metralhadora.
Tinha muitos irmãos.
Tinha poucos recursos.
Quando menino gostava de correr
E de jogar bola.
Estava no sangue:
Seu avô foi jogador amador e
Seu irmão foi jogador profissional.
Era magrelo,
Esguio,
Veloz.
Mas não conseguiu fugir da maldade
E da falta de oportunidade.
Na infância foi abusado.
E abusaram dele.
Foram os meninos maiores de sua própria rua.
Virou piada,
Entrou na vida.
Percebeu ainda criança
Que não era igual,
Que nunca fora igual,
E, talvez, que nunca seria igual.
Seu problema é que era negro
E pobre.
Percebeu logo que sua cor
Era fator principal
De distinção social.
Tentou resistir às evidências,
E levou sua luta às últimas consequências.
Se envolveu nos espaços destinados aos negros na Esfera Social:
Foi aprendiz de pedreiro
E amou o carnaval.
Frequentou escola,
Abandonou a escola...
E começou a dar pequenos golpes.
Foi dando golpes,
Como se descontasse os golpes que levava.
Um dia fez uma tatoo.
Aí completou:
Preto, Gay e tatuado.
Tá roubado!
Foi preso a primeira vez:
E voltou a ser de todos.
Foi solto:
Não era de ninguém.
Se embrenhou no mato.
E a polícia atrás.
Passaram-se dois dias
E a polícia atrás.
E lá, longe da família,
E do olhar social,
No meio do matagal,
Encontrara o desfecho de sua vida
Nada triunfal:
Onze tiros.
Seis nas costas,
Três na cabeça,
Dois no braço
E seis no mato.
Viveu pouco,
Talvez até a primeira infância.
E começou a morrer quando começou a percorrer
O destino que já lhe estava traçado.
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Matamos Felinho, Charutinho e tantos outros. Matamos e não percebemos como. Não entendemos como reproduzimos desigualdades sociais e raciais. E que peso essa desigualdade reproduzida por nós tem na vida de suas maiores vítimas. E não é pra entender mesmo. O não-entendimento desse mecanismo perverso que nos faz excluir o outro, por qualquer motivo que seja, é parte de uma ideologia que nos faz acreditar que as coisas são assim mesmo, que é natural. Que o excluído é derrotado, perdedor. Entender esse mecanismo poderia nos fazer romper com essa lógica de reprodução de desigualdades. Mas quem disse que queremos diminuir as desigualdades sociais? Por isso, é melhor que continue assim, sem sabermos como matamos, como excluímos, como reforçamos desigualdades... Triste fim de Felinho. Triste fim nosso. Triste fim.
Até!
25/06/07
Livros e leitores

20/06/07
Desigualdade e cotidiano

17/05/07
Recompensa

Recompensa não se busca,
Mas ela vem.
Inesperadamente vem.
Quando se trabalha com afinco,
Com dedicação.
Quando se sabe o que se faz.
E se faz.
Mesmo que pareça estar dando errado.
Mesmo que dê errado.
Quando se sabe o que se faz,
E se faz,
A recompensa vem.
Pode demorar,
Mas virá.
E não necessariamente em forma de dinheiro,
Como no velho oeste.
Pode ser em agradecimento,
Ou em transformações ocorridas.
Pode ser expressa,
Ou pode ser tácita.
A recompensa é o reconhecimento de que se fez o certo.
Que valeu a pena o trabalho árduo,
As crises vividas,
As angústias
E dúvidas enfrentadas.
A recompensa será um "valeu!"
Uma confidência.
Ou mesmo a percepção de uma outra vida.
Uma nova vida.
Talvez mudada no confronto,
No embate,
Na vida.
A sala de aula é um lugar e tanto para essas crises.
E o professor sempre espera uma recompensa.
Que vem.
Pode até demorar,
Mas vem.
Quando se sabe o que se faz,
E se faz.
................................................................
Hoje obtive uma recompensa.
16/05/07
Considerações

Constantes considerações,
Coincidentes,
Continuam nos acostumando
A Continuar
O mesmo.
O mesmo
Meio
De manutenção
Mecânica
Da mesmice.
O mesmo.
Assim mesmo:
O mesmo,
O mesmo,
O mesmo.
Chega!
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Novas considerações
Questionam
O Status Quo.
E desafiam o momento.
E mudam a história...
Escrito em julho/2005 - "estava perdido e foi achado".
15/05/07
Memórias

14/05/07
Cata-Cata
Cata-Cata. 13/05/07
Na cama

12/05/07
Aprisionamento

30/04/07
Nomes

.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
Os nomes são nomes.
São mais que nomes:
São identidades,
São vidas,
São pessoas,
De carne e osso,
Com sentimentos,
Interesses e
Vidas próprias,
Mesmo que dominadas.
Márcio, Fábio, Flávio,
Carlos, Marcos, Sávio,
Juliana, Luciana, Ana,
Sabrina, Valéria, Mariana...
São nomes,
São vidas.
Mesmo na multidão.
..........................................................................
O mês acaba com uma sensação de incompletude.
09/04/07
O tempo não cura!

Insisto em dizer que precisamos tratar nossas mazelas, sociais ou individuais, como mazelas. Não dá é pra esparar que as coisas se resolvam por si mesmas. Problemas para serem resolvidos e não voltarem a ocorrer pelos mesmos motivos que os deram causa, precisam ser reconhecidos (diagnosticados), analisados (discutidos) e enfrentados de peito aberto (tratados).
Existem algumas expressões que estão na boca dos brasileiros e que revelam um de nossos problemas como brasileiros: nossa dificuldade de enfrentar de frente os problemas da vida. As expressões a que me refiro são: "O que não tem solução, resolvido está"; "O tempo cura tudo!"; "Eu dou um boi para não entrar numa briga. Mas, uma boiada para não sair".
Alguns autores vão chamar a atenção para a "inércia" da sociedade brasileira diante dos fatos da vida, da história. Outros autores vão nos classificar de conformistas, alienados, expectadores, acomodados e até bestializados. Independente dos porquês que explicariam a nossa condição de inércia, como o medo da repressão, por exemplo, precisamos estar conscientes da nossa dificuldade de entrarmos na luta. Somos mais chegados a "ver a banda passar" do que a fazer a hora e não esperar acontecer. Por isso, precisamos criar meios para estimular os indivíduos à participação social e, fundamentalmente, a não esperar as coisas acontecerem, porque, como o título desta postagem diz, o tempo não cura nada.
Achar que o tempo cicatriza tudo é varrer os problemas para debaixo do tapete. Eles continuarão ali, só esperando alguém descobrí-los. Não dá pra continuar a vida sem considerar as perdas de um problema não resolvido, ou mal resolvido. Se é um problema pessoal ele precisa ser colocado em pratos limpos e discutido abertamente. Se é um problema social, precisamos conhece-lo e resistirmos à tentação de reproduzí-lo, de vivermos "como nossos pais", como cantou Elis Regina.
Deve ser enfrentado por nós as heranças do regime escravocrata, os traumas das ditaduras e o mal-estar nas relações familiares, por exemplo. O tempo não é nosso aliado nesse enfrentamento. Pelo contrário, é nosso algoz: quanto mais o tempo passa mais os problemas vão se enraizando na alma e vai ficando mais difícil se libertar deles.
08/04/07
Militares nas ruas

Antes que me acusem de reacionário, conservador e outros bichos mais, quero dizer que o título desta postagem não tem nada a ver com um chamado pela volta dos militares. Pelo contrário, o leitor que for perseverante e continuar na leitura até o final verá que meu propósito é outro, banir os militares, e suas heranças (ver postagem anterior), de uma vez por todas da sociedade brasileira.
Penso que só podemos tratar e resolver nossos problemas sociais se admitirmos que eles existem. O problema do autoritarismo na sociedade brasileira não é um problema dos governos, mas da sociedade. Portanto, é a sociedade que precisa dar conta desse mal. Não podemos é fingir que ele não existe, que não somos marcados pelo autoritarismo, que de vez em quando somos tentados a usar saídas autoritárias para apaziguar problemas em nossas relações sociais ou somos vítimas desse autoritarismo. Aqueles que ocupam alguma posição de poder, ou que acham que têm algum poder, são seduzidos a reproduzir a lógica de autoritarismo a que estamos historicamente submetidos.
A Alemanha de Hitler produziu algo pela qual veio a se envergonhar depois. E não foi uma vergonha espontânea, mas politicamente provocada. Os alemães são chamados a olhar e rever todo o mal que produziram para com a humanidade. E esse chamamento é também impositivo: é um "olhe bem o que produzimos e envergonhemo-nos disso para não repetirmos o erro".
Se não agirmos assim também em relação às nossas próprias mazelas, não nos conscientizarmos que produzimos também o mal e não nos envergonharmos disso, provavelmente voltaremos a produzi-lo. Não podemos, portanto, mascarar a ditadura militar que tanto mal causou à nossa sociedade. Precisamos expurgar nosso "pecado" confessando-o e abandonando-o. Se não queremos mais as ditaduras militares no poder, precisamos abrir os arquivos da repressão e conhecer os fatos daquele período histórico. Precisamos ser confrontados com a realidade para parar de criar mitos e acreditar neles. A abertura dos arquivos é contrária à famosa ação atribuída a Rui Barbosa em relação à escravidão (queimar os arquivos da escravidão para fingir que ela não aconteceu).
Mas antes da abertura dos arquivos, precisamos parar, já, de reverenciar o criminoso, o grileiro, o dedo-duro, o torturador, o ditador etc. Uma das maneiras pelas quais homenageamos essa gente que não merece honra depois de morta, até porque nunca tiveram em vida, é dando nomes de ruas, praças, escolas, prédios e espaços públicos em geral.
Confesso que me envergonho do período de ditadura militar e quero que a sociedade como um todo seja politicamente levada à mesma atitude de envergonhamento. Chega de nomes de militares tomando lugar nas esquinas, indicando nomes de ruas! Chega de homenagens a pessoas que escolheram viver e reproduzir a cultura autoritária! Não quero ver os militares nas ruas mais. Nem nos nomes das ruas. É preciso começar as mudanças de algum lugar.
07/04/07
Herança
05/04/07
Repressão e criação

01/04/07
Música de protesto nos anos 90
Com o fim do socialismo real, simbolizado na queda do muro de Berlim, em 1989, ruiram-se também as utopias de um mundo melhor a partir da participação política. Na música de protesto, o fim das utopias políticas também aparecerem. Na década de 1990, a música de protesto não deixou de existir, mas as críticas já não eram a sistemas políticos e problemas sociais de grande porte, mas a problemas pessoais enfrentados cotidianamente. A juventude dos anos 90 não deixara de protestar, mas perdera a dimensão histórica do protesto em vista de protestos contra pontos específicos do dia-dia das cidades grandes, como a moda, o corte de cabelo, a chatice do vizinho, o barulho dos automóveis, a violência urbana etc. A crítica política foi jogada para dentro do indivíduo que precisava agora resolver suas mazelas cotidianas antes de querer mudar o mundo. Não se estava mais interessado em transformar a realidade social do mundo, mas em criticar a realidade social do indíviduo urbano. Temas caros ao romantismo volta nos anos 90 como uma tentativa de obtenção de algo que fora perdido: a tranquilidade do interior, o verde da paisagem e a amizade, por exemplo.
Passamos a viver numa sociedade fragmentada e cada vez mais individualizada. A solidão das pessoas é expressa nas músicas de protesto dos anos 90 como algo angustiante. A angústia cantada era a angústia vivida também pelos músicos, pessoas sujeitas à mesma solidão que qualquer um. Tanto que alguns músicos tentaram se sucidar e que outros conseguiram cometer suicídio, como Kurt Cobain (Nirvana) e Michael Hutchence (INXS). Tivemos também nos anos 90 o aparecimento e o desaparecimento de inúmeras bandas de rock e de alguns movimentos musicais, como o grunge.
Muito dessa influência dos anos 90 ainda estão presentes na música de protesto dos dias de hoje. Principalmente a redução do horizonte político para as coisas do cotidiano. Mas hoje já há uma tentativa de alargar novamente a visão política e o alcance da música de protesto, principalmente por conta da chamada Globalização. Mas este é outro assunto.
26/03/07
A música nos Direitos Civis americanos

23/03/07
Joe Hill na luta com os trabalhadores

17/03/07
O músico, a música e a política
Considerando os problemas sociais como problemas políticos, quer dizer, como problemas cujas soluções são (e serão) políticas, queremos ressaltar o papel do músico (de sua postura e de sua música) como formador de opinião e agente político de mudanças sociais.16/03/07
Música e protesto

15/03/07
Desterritorialização

Moro numa casa com quintal. No quintal há grama esmeralda, arbustos e plantinhas floríferas: coqueirinhos, azaléias, orquídeas, hortência e outras plantinhas. Moramos aqui há pouco tempo. É a primeira vez que moro em casa. O clima da cidade é ameno. Antes morávamos num apartamento, num lugar mais quente. Mas sempre tivemos plantinhas domésticas na sala de estar.
Quando mudamos para cá trouxemos nossas plantinhas de vaso. E como havia espaço no jardim, resolvemos plantar algumas no chão. Das plantas que já existiam no jardim, deixamos algumas onde estavam, trocamos outras de lugar e algumas jogamos fora. Compramos também algumas novas plantas para o jardim. Quero falar da experiência da mudança.
Foi uma surpresa perceber que algumas plantas que estavam no vasinho morreram quando foram plantadas no chão. Outras murcharam, secaram, mas, ao fim, resistiram e já florescem. A hortência estava há anos no mesmo lugar, no meio do terreno, reinando absoluta, com raízes profundas. Achamos melhor traze-la mais para frente do quintal para valorizá-la e ao jardim. Ela também murchou, perdeu as folhas, pensamos até que havia morrido, mas está lá, firme. Só falta florir. Mas ainda não está no tempo.
Não é fácil sair de um lugar para o outro. Não é simples: sair de um território para outro é mais do que um deslocamento. É um processo de desterritorialização, uma tentativa de se enquadrar nos novos modelos culturais do lugar de destino. O brasileiro não é igual em todo lugar, nem poderia ser igual também a sua cultura. Somos uma sociedade multicultural.
Desterritorializar é perder a segurança gerada pelas raízes fincadas no solo há tanto tempo para tentar enraizar-se em outros solos. Gera medo, insegurança, angústia. Somos excluídos, perseguidos, humilhados. Como as plantinhas trocadas de lugar, murchamos, definhamos e morremos. Ou resistimos.
Milton Santos, no livro “Espaço do cidadão”, diz que “a cultura, forma de comunicação do indivíduo e do grupo com o universo, é uma herança, mas também um reaprendizado das relações profundas entre o homem e seu meio, um resultado obtido através do próprio processo de viver. (...) a cultura é o que nos dá a consciência de pertencer a um grupo, do qual é o cimento. É por isso que as migrações agridem o indivíduo, roubando-lhe parte do ser, obrigando-o a uma nova e dura adaptação em seu novo lugar. Desterritorialização é freqüentemente uma palavra para significar alienação, estranhamento, que são, também, desculturização”.
É f***!
14/03/07
A casa é a rua

13/03/07
Sucesso

12/03/07
Ensinar e aprender

11/03/07
Justiça brasileira

10/03/07
Cultivo intelectual

09/03/07
Aborto

08/03/07
Mulher sangra

07/03/07
Briga de família

06/03/07
Skate or die!

02/03/07
Anti-democracias brasileiras

01/03/07
Ameaça de morte

28/02/07
Emprego e aconchego

27/02/07
26/02/07
Já

25/02/07
Darwin e o capitalismo

24/02/07
Piada de advogados

23/02/07
Advogados

22/02/07
Credencialismo
Credencialismo é um conceito criado por Randall Collins, um sociólgo norte-americano, para indicar a sobrevalorização do diploma em detrimento do conhecimento, do conteúdo. Para Collins, vivemos numa sociedade credencialista, em que a educação cumpre apenas um papel formal de treinamento. Mais do que o conhecimento, queremos uma credencial pra o mercado de trabalho, um diploma. As credenciais educativas são passaportes para postos do mercado de trabalho? Não necessariamente, segundo Randall Collins. Para ele, uma credencial, um diploma, é um passo importante para entrar no mercado de trabalho, mas é preciso também incorporar uma cultura que se identifique com a cultura desejada, esperada, pelo empregador.21/02/07
Papai
19/02/07
Seis meses

18/02/07
Quase dois irmãos

17/02/07
Irmãos que não são gêmeos

16/02/07
Presente
Quero falar sobre dar e receber presentes. Nem vou me referir ao estudo de Marcel Mauss sobre a relação dos atores sociais envolvidos em dar e receber presentes. Ele chamou seu trabalho de "Ensaio sobre a dádiva", que já é um clássico das ciências sociais, e é lindo.15/02/07
Aniversário
Não sei se o sentimento de quem faz aniversário é o mesmo em qualquer parte do mundo, mas tendo a pensar que há um misto de expectativa pelo que vai acontecer no dia e esperança de que coisas boas aconteçam que deve ser comum a todas as culturas. Talvez eu esteja errado, e até etnocêntrico (olhando para as outras culturas como se fossem iguais à minha, julgando as outras culturas a partir da minha). Mas me permito conjecturar sobre esta data tão especial que é o dia em que nascemos. 14/02/07
Diminuição da maioridade penal
12/02/07
Violência e Infância

10/02/07
Homem-Animal

08/02/07
Mercado Animal e Solidão

07/02/07
Bicho-Homem
06/02/07
Sobre homens e animais

05/02/07
Surpresa!

04/02/07
Intolerância!
02/02/07
Separações
Foi mesmo um tempo difícil 31/01/07
É o fim!

30/01/07
Crianças Invisíveis

26/01/07
Livre para escolher?!

24/01/07
Há vida. Ah, vida!

23/01/07
Depois do começo

Renato Russo tem uma música em que ele diz: "e depois do começo, o que vier vai começar a ser o fim". O dia seguinte de um lançamento é tão frustrante quanto à expectativa pelo lançamento. São aqueles minutos que sucedem à partida de um foguete. Momentos tensos, em que o foguete pode se desintegrar no ar, explodir, colocando fim a um trabalho longo e árduo. E aquele momento de decepção, aquele ahahhahahahahahahhahah!, toma conta da sala de controle da NASA. Lágrimas, abraços, comoção, tristeza... Acho que este é o momento em que estou. O foguete ainda não se desintegrou, mas a expectativa é imensa. Será que ele consegue alcançar sua órbita.
Bom, para não dizer que eu não tenho nada a dizer, e por falar em foguetes, quero deixar registrado que nesta data, em 2003, foi recebido o último sinal da sonda Pioneer 10 antes de se perder no espaço. A sonda foi lançada ao espaço em 1972.
22/01/07
Começando pelo começo

Começar é sempre difícil, gera ansiedade e até dor. Os braços parecem até ficar pesados e o corpo prostrado. Quando começo alguma coisa tenho sempre a sensação de que o que se está iniciando pode não ser relevante, de que talvez não possa dar conta... Essas coisas que servem para nos tirar do foco. Mas o desafio de seguir em frente, de produzir algo, acaba me motivando a enfrentar estes obstáculos e, no fim, as coisas dão certo. E você, o que acha do começo?
Para um começo, este é o meu primeiro blog, até que consegui sair da inércia e expressar sentimentos que nem sempre são conscientes. Acho que a cada dia estarei mais acostumado com este novo papel, de publicador de coisas que ninguém lê e ninguém comenta.


