24/12/2009

Eu preciso ir embora

Queria curtir o momento
Com sentimento.
Mas sem grude,
Sem grilo.
Só um instante:
Guardado na memória,
Sem arranhões,
Sem culpa,
Para sempre.
Como mágica (ou bruxaria).
Queria fazer uma obra capaz de durar.
Uma ponte (que reduza pela metade a distância)
Dura.
Ela é dura.
(She is heavy)
E eu, Duro.
Porque homens não choram,
Nem brincam de boneca.
Cada momento um presente
E uma esperança.
Nada se esvai,
Nem seu cabelo.
E o presente não passa
Na minha cabeça.
E eu fico meio vermelho,
Como a bandeira da Polônia.
Eu preciso ir embora.

30/11/2009

Sem grilo

Sem grilo.
Se tudo acabar (ou se nem começar) já terá valido a pena.
É gostoso também saborear o que restou no prato da memória.
E como a pressa é inimiga da perfeição,
Aguardo calado o momento de satisfação.
E penso nas perdas e vitórias.
E penso nas perdas como vitória.
E sofro com os dardos que traspassam o meu couro curtido cordial.
E me vingo deixando a peteca cair.
O importante não é competir.
O importante não é vencer.
É melhor...
Derrotar.
E ser derrotado pela exaustão.

24/11/2009

Direito Constitucional Revolucionário?


As decisões políticas do STF estão dentro de um projeto político marxista? A politização do Judiciário é um modo de divulgação de um ideário marxista? A discussão de justiça social revela um caráter revolucionário de tipo socialista? Venha discutir questões como essa no Unicuritiba, dia 26/11, às 17h30, no mini-auditório.

23/11/2009

Instituto Rio Branco


Palestra sobre o próximo Concurso Público para a Diplomacia brasileira. Dia 26/11, no Unicuritiba, conforme cartaz ao lado.

20/11/2009

Veneno

Eu sou um veneno.
Sou veneno mortal.
Eu não tenho cura.
Nem curo ninguém.
Minha pele se solta,
Pra enganar os predadores.
E eu mesmo não como ninguém.
Mas sou aparentemente devorado
Até engasgarem.
E a vítima é o devorador,
Que devora a dor que eu sangro
E bebe o licoroso veneno da minha vida,
Que mata,
Apesar do sabor.
Se isso pareceu sem sentido,
Sua idéia sobre mim é que está fora do lugar.

15/11/2009

Contradições?

O religioso ama o mundo,
Mas odeia a sogra.
O torturador é um bom pai.
O humanista bate na filha.
A mãe amorosa faz tráfico de drogas.
O filho rebelde chora a morte do pai.
O traficante não usa drogas.
O viciado não compra drogas.
O presídio não recupera.
A sala de aula, também não.
As leis se multiplicam.
Os crimes também.
A tecnologia é cada vez mais avançada.
Mas nada elimina a necessidade do sono.
Conhecemos a vida na sua complexidade.
Mas não somos capazes de criar a imortalidade.
A aceleração da vida cotidiana
Não muda o ritmo da morte:
Ela vem certeira,
Quando eu menos espero.
Tudo isso parece contradição
Ou aponta para nossas limitações,
E para a necessidade da fé.
(Dedico aos companheiros de jornada. Eles sabem quem são porque se identificam com as idéias. O que está aqui não é melancolia, é reconhecimento/humildade e esperança/projeto: "não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse pratico". Mas como realizar mudança sem correr o risco da vida? É preciso seguir em frente, vivendo, refletindo e decidindo, não necessariamente nessa ordem.)

17/10/2009

Leis

As leis da natureza são rechaçadas pelas normas sociais.
Os polos contrários não se atraem:
Consumimos os iguais e somos indiferentes aos diferentes.
Nem tudo o que sobe desce:
Os estabelecidos têm seu poder reforçado pelos excluídos.
Nem sempre os mais aptos sobrevivem:
No afã de agradar os pares e conquistar uma posição,
Derrubamos o mito da meritocracia.
As normas sociais são negadas pelas leis da natureza.
Raça ruim é a que tem pedigree.
A mistura é mais saudável que a pureza.
Não há inferiores; há inferiorizados.
A ordem é mais rara que a desordem.
Temos tanto a aprender;
E tanto a ensinar.

13/10/2009

Correr e lutar

Estava pesquisando algumas fotografias que expressassem desigualdade social e fiquei impressionado com a quantidade de fotos sobre esse tema que focam pés (quase sempre machucados e maltrapilhos) e mãos (quase sempre espalmada para cima, como quem pede esmolas). Os membros superiores e inferiores, por outro lado, estão frequentemente associados à ação, normalmente de lutar (no caso das mãos) e correr (no caso dos pés). As mãos de um lutador de boxe ou os punhos fechados e erguidos de um membro do movimento sindical, ou outro movimento social qualquer, expressam claramente a ação da luta ou da resistência. O choque que gera vitória. Os pés de um corredor, obstinado por cruzar a linha de chegada, ou de um lutador em guarda para receber o combate de seu oponente, expressam também a ação da luta ou da resistência. Pés e mãos, podem ter o mesmo simbolismo de ação. Mas quando aparecem vinculados a imagens de desigualdade social, mostram-se cansados, inertes ou desumanizados: são pés calejados, feridos e, provavelmente, fedidos; são mãos grossas, espalmadas uma contra a outra e servindo de travesseiro em chão de pedra ou levantadas para o céu, esperando uma providência alheia. Mãos e pés, quando espressam desigualdade social, estão irreconhecíveis, nem de longe lembram os instrumentos de luta e resistência que foram um dia, ou poderiam voltar a ser. Mãos e pés da desigualdade aparecem distantes, desentrosados e desajeitados. Parecem esquartejados: mãos pra lá, pés pra cá e nenhuma ação. Só inanição. Correr e lutar vão parecendo até antagônicos: correr como sinônimo de fugir; lutar, como encarar. Mas correr e lutar nunca foram tão próximos. São ações. Uma atitude importante diante da desigualdade seria uma ação de combate e de resistência, uma conjugação de mãos e pés. Mãos fechadas que partem ao ataque e pés ágeis que se esquivam do oponente a derrotar, que é a própria desigualdade. Nada de mãos pra trás ou cruzadas com os braços; nada de pés vacilantes ou cansados. Precisamos cerrar os punhos e posicionar os pés para tomar parte nessa luta. Isso é solidariedade, que também é uma ação.
A foto desta postagem é de Sebastião Salgado.

06/10/2009

Honduras: o impasse caribenho

Hoje os alunos do Centro Universitário Curitiba poderão debater com professores da casa a atual situação política de Honduras (Golpe Militar, Estado de Sítio, Abrigo Político do presidente deposto na Embaixada Brasileira etc). Será às 17h30, no Grande Auditório do Unicuritiba. Inscrições deverão ser realizadas pelo site da faculdade. Contamos com sua presença e divulgação

12/09/2009

Banqueiros interrogadores

Banqueiros são banqueiros em qualquer lugar?
Eles sabem mais que os demais?
Os banqueiros estão em guerra com seus inimigos?
Todos são seus inimigos?
Mesmo quando são Referências os banqueiros partem para o ataque?
E essa luta é honesta?
Quem são os vitoriosos?
Quem são os perdedores?
Lamento, mas não sei responder.