10/09/2010

Saudades

Ah, Marinna!
Ah, Amanda!
Ah, Rafaela!
Ah, Irene!
Ah, Andressa!

Por que ando tão aflito?
Onde estará o meu conflito?
Quando vou sanar minha tristeza?
Como encontrar minha beleza?

Mais adiante resolverei ir atrás.

09/09/2010

Começaria tudo outra vez

Não consigo dormir.
Não queria acordar.
Fecho os olhos e vejo você.
Abro os olhos e não vejo ninguém.
Passei a noite em claro,
Pensando no escuro.
Imaginando poesias
Sem conseguir parar,
Sem querer parar.
Mas todas se foram.
Eu as perdi.
E já sofro por saber que a perdi.
E as palavras que não escrevi
Não me deixam em paz.
Passei a noite esperando
Mais um dia chegar.
Deitado,
Com um sorriso largado
E uma lágrima teimosa a rolar.
Passei uma noite doída.
Talvez tudo isso seja cansaço;
Talvez não.
Ninguém sabe.
............................................
Não consigo articular as idéias, só consigo lembrar de um bolero:
Começaria tudo outra vez
Se preciso [possível] fosse, meu amor
A chama em meu peito
Ainda queima, saiba!
Nada foi em vão...


A cuba-libre dá coragem
Em minhas mãos
A dama de lilás
Me machucando o coração
Na sêde de sentir
Seu corpo inteiro
Coladinho ao meu...


E então eu cantaria
A noite inteira
Como já cantei, cantarei
As coisas todas que já tive
Tenho e sei, um dia terei...
A fé no que virá
E a alegria de poder
Olhar prá trás
E ver que voltaria com você
De novo, viver
Nesse imenso salão...


Ao som desse bolero
Vida, vamos nós
E não estamos sós
Veja meu bem
A orquestra nos espera
Por favor!
Mais uma vez, recomeçar...(3x)

08/09/2010

Escrever poesia

Escrevo poesia pra esquecer;
Escrevo poesia pra não ler.
Escrevo poesia pra lembrar;
Escrevo poesia pra incomodar.
Escrevo poesia pra não parar de sonhar;
Escrevo poesia pra deixar de sonhar.
Escrevo poesia pra denunciar;
Escrevo poesia pra não lutar.
Bebo poesia pra não parar de viver.
Como poesia pra me fortalecer.
Vivo poesia pra ter prazer,
Pra gritar,
Pra chorar,
Respirar,
Amenizar,
Acordar,
Levantar,
Desejar,
Esquecer.

07/09/2010

Dívidas

"O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou nesta terça-feira um estudo em que 54,36% das famílias brasileiras reconhecem ter dívidas, em uma média de R$ 5.426. (...) Entre as famílias de menor renda, 58,54% admitem estar endividados, enquanto apenas 36,92% das pessoas de maiores receitas dizem ter compromissos financeiros". (Agência EFE, 31/08/2010)
Quando mais da metade das famílias brasileiras está endividada é sinal de que há alguma coisa errada aqui. Qualquer semelhança com a sociedade americana - diagnóstico recentemente feito pelo cineasta Michael Moore em seu novo filme (Capitalismo, uma história de amor) - não é mera coincidência: o problema é esse sistema que mantemos (mesmo que de forma omissiva).
Pra piorar, a pesquisa realizada pelo IPEA mostra que a maioria dos entrevistados acredita que as coisas vão melhorar em um ano. Mas vai melhorar pra quem?
Precisamos pensar essa situação com um olhar menos prepotente e mais humano, e considerarmos a possibilidade de uma efetiva luta por justiça social (redistribuição de rendas) e contra as "facilidades" oferecidas pelas instituições bancárias. Isso também é Direito!

06/09/2010

Aliviando as cargas

Não sou grande demais, nem pesado demais, para entrar nesse espaço. O problema é que venho de mochila. E isso é um inconveniente enorme num elevador. Só há duas saídas: ou você sobe só; ou espera que me livre do excesso de carga. Enquanto isso, vamos nos apertando.
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Desde já agradeço pelo espaço.

05/09/2010

Distância próxima

Quando toco em você percebo nossa distância;
E quando me distancio, nossa proximidade.
Mas não há nada que me desestimule do desejo da transposição.
Só você!
Onde quer que a gente chegue,
E mesmo que não chegue,
Terei você sempre aqui.
E queria estar pra sempre dentro de você,
Guardado com carinho,
Mesmo que num cantinho.
________________
Caminhar é melhor que chegar. Inda mais na sua companhia.

04/09/2010

Diferenças e semelhanças sem fim (original)

Não tenho a sua beleza,
Nem a sua clareza.
(Sou dúbio)
Não tenho a sua base,
Nem a sua classe.
(Sou operário)
Não tenho o seu talento,
Nem o seu tormento.
(Sou resolvido)
Não tenho vergonha na cara,
Nem medo da vara.
(Sou abusado)
Não tenho a sua idade,
Nem a sua liberdade.
(Sou preso)
Não tenho a sua lida,
Nem a sua vida.
(Sou morto)
Não tenho nada,
Nem você.
(Somos iguais)

Não tenho você pra mim,
Nem você a mim.
Eis a nossa igualdade!
Essa é minha felicidade.
(Somos infelizes)

Mas, no entanto,
Apesar de tanto desencontro,
Nos encontramos aqui,
No fundo do ser,
Numa sala secreta em que não se pode ver.
Apesar de ninguém saber,
Mesmo sem querer.
E vivemos um sonho bom;
E sonhamos uma vida boa.
E se me disserem pra acordar,
Vou me negar.
Vou me levantar,
Ajeitar os óculos
E me retirar,
Bem devagar:
Com dignidade
E com coragem,
Vou me exilar.
Entristecido,
Humilhado
E apaixonado.
Até o fim.

03/09/2010

Diferenças e semelhanças sem fim (versão editada)

Não tenho a sua beleza,
Nem a sua clareza.
(Sou dúbio)
Não tenho o seu talento,
Nem o seu tormento.
(Sou resolvido)
Não tenho vergonha na cara,
Nem medo da vara.
(Sou abusado)
Não tenho a sua idade,
Nem a sua liberdade.
(Sou preso)
Não tenho a sua lida,
Nem a sua vida.
(Sou morto)
Não tenho nada,
Nem você.
(Somos iguais)

Não tenho você comigo,
Nem você a mim.
Eis a nossa igualdade!
Essa é minha felicidade.
(Somos infelizes)

Mas, no entanto,
Apesar de tanto desencontro,
Nos encontramos aqui,
No fundo do ser,
Numa sala secreta em que não se pode ver.
Apesar de ninguém saber,
Mesmo sem querer.
E vivemos um sonho bom;
E sonhamos uma vida boa.
E se me disserem pra acordar,
Vou me negar.
Vou me levantar,
Ajeitar os óculos
E me retirar,
Bem devagar:
Com dignidade
E com coragem,
Volto a me exilar.
Entristecido,
Humilhado
E apaixonado.
Até o fim.

02/09/2010

Segurança no caos

A celeridade com que as coisas são postas confunde até os mais atentos. E de tantas dúvidas e tormentos, conseguimos caminhar seguros.

01/09/2010

Vamos à luta?

Queria falar com você.
Mas nem sempre a gente se vê.
ME diz onde te acho
Ou como me afasto.
Precisamos nos encontrar,
Mesmo sem querer,
Pra gente conversar,
Pra gente se entender.
(Ou se desentender).
Pra falar da liberdade,
Da política,
E da instabilidade.
Pra falar à vontade,
Até a boca desejar.


Vamos conversar
E deixar a conversa pra lá.
Quando a gente conversa
A gente se acerta.
Vamos combinar o levante
Numa cena instigante:
Pode ser num café
Ou mesmo num cabaré.
Vamos sonhar com a liberdade
Enquanto desfrutamos.


A insanidade da guerra
Está na obrigação de matar,
Em usarmos as mesmas armas.
Quero uma guerra diferente,
Uma guerra à frente,
Com rosas na mão.
Posso até ser preso,
Mas me recuso a prender!
Temos o direito à resistência,
Mas não à penitência.
Respeito sua liberdade
E a quero assim.
Também quero ser livre
Para ir até o fim.
Se você quiser,
Pode se juntar a mim.
Essa já é a luta.

Vamos à luta?
Ou prefere um cineminha?
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As dúvidas permanecem, viu? Sem dúvida não há conhecimento.