Escrever é um meio de falar. Nem sempre a gente consegue escrever. Nem sempre a gente quer falar. Mas nem é preciso escrever sempre. Às vezes a melhor opção é ficar quieto. O melhor é ouvir. Tenho ouvido muito: barulhos, murmúrios, lamentos, gritos, sussurros, silêncios... E soam como músicas, que alegram e angustiam a alma. Mas sigo firme, ouvindo os zunidos, prejudicando os ouvidos e construindo os destinos.
Mas a alma ouve com mais calma. E encontra alento nos sons dos outros, nas cantorias desafinadas e nas adequadas. E isso motiva a virada. Sinto muito a dor, in-ten-sa-men-te. E sinto muito pela dor. Sinto muito, amor. Caetaneando e cantando, "pra que rimar amor e dor..."? Mas é assim que se faz a todo instante. E sei que é sufocante.
_______________________________________________________________
Ouça meu pedido. Ouça "Pedido de Casamento", de Arnaldo Antunes.
11/12/2010
10/12/2010
Transtornos de uma alma cansada
Deito pra dormir e não consigo, fico ouvindo o barulho do meu cabelo a crescer. E meu estômago a ferver. E fico imaginando como poderia ser o que não foi, nem nunca será. E sinto o diamante duro meu peito dilacerar. De cima abaixo; de lá pra cá. Vai. Vai que vou atrás. Até a porta bater na minha cara. E fico do lado de fora andando em círculos, buscando meu próprio rabo. Até me cansar e deitar. Nesse corpo fraco, as idéias vem e vão. E apago de lado com a cara no chão. E ninguém me acha são. Se você também acha que esse texto não tem nexo, nem sexo, ou que estou louco, é porque não esteve em minha sala nesses dias. Minha sala é o abrigo violado do meu ser. Mas as coisas vão melhorar. E só me pergunto, pra quem?
*****************************************************************************************************
Imagem: Homeless (morador de rua, sem-teto). A indignidade não está na pobrreza, mas na desigualdade. Uns com tanto, outros com tão pouco.
*****************************************************************************************************
Imagem: Homeless (morador de rua, sem-teto). A indignidade não está na pobrreza, mas na desigualdade. Uns com tanto, outros com tão pouco.
09/12/2010
Tragédia
Esse conto é quase real. Mas não é como outros, não é igual. Quem gosta de ver as coisas retas e organizadas, melhor evitar a leitura dessas linhas tortuosas. Trata-se de um conto cheio de sangue, crueldade e desilusão. Mas quem quer uma cena real, leia até o final.
É a história de um casal, que não vai chegar ao final. Ele estava elaborando um plano e ela estava comemorando mais um ano. Chegaram em casa as três. E ela saiu as seis, de uma vez. E nunca mais se ouviu falar, daquele casal do oitavo andar. Mas voltemos às três, para reconstituir o que se fez. Ao abrir a porta e encontrar a sogra, ele começou a esbravejar. A sogra saiu bem devagar. E a briga se transformou em acusar. Ela sofria com o que ouvia. Ele se deleitava com o que falava.
Ele amarrou a mulher no canto, com a ajuda do seu santo. E foi amolar a faca, com toda raça. E quando chegou a hora de imolar, ele parou para mijar. Foram alguns segundos, suficientes para que ela desse uns pulos. Quando voltou pra sala, ela já não estava lá. Havia pulado até a sala de jantar. Ele a encontrou no chão e teve ali sua última relação.
No meio da embolação, deixou cair a faca da mão. Mas nem percebeu, porque só pensava no que era seu. E queria gozar, sem se refrear. Mas ela, muito esperta, fez a coisa certa: sussurrou palavras no seu ouvido, aumentando sua libido. E quando veio o gozo afinal, veio também o dia final. A faca que estava no chão, atravessou o pescoço dele numa fração. Golpe certeiro, derradeiro. Ele caiu de cara no chão. E com um sorriso no rosto, virou um homem morto.
Ela que antes estava celebrando, saiu daquela casa se arrastando e chorando. Ela foi presa, julgada e abssolvida. Agira em legítima defesa, afinal estava amarrada e sendo estuprada. E ele que queria se livrar dela, conseguiu. Agora está longe, nem sei onde. Mas ambos estão na pior: ele porque queria ter ficado e ela porque não queria sua vida ter tirado. O ser-humano é um bicho desumano. Pede para a relação acabar, mas quando isso acontece, começa a reclamar. Vai entender!
_____________________________________________________________
Baseado numa sabedoria popular: "quem planta vento, colhe tempestade!"
É a história de um casal, que não vai chegar ao final. Ele estava elaborando um plano e ela estava comemorando mais um ano. Chegaram em casa as três. E ela saiu as seis, de uma vez. E nunca mais se ouviu falar, daquele casal do oitavo andar. Mas voltemos às três, para reconstituir o que se fez. Ao abrir a porta e encontrar a sogra, ele começou a esbravejar. A sogra saiu bem devagar. E a briga se transformou em acusar. Ela sofria com o que ouvia. Ele se deleitava com o que falava.
Ele amarrou a mulher no canto, com a ajuda do seu santo. E foi amolar a faca, com toda raça. E quando chegou a hora de imolar, ele parou para mijar. Foram alguns segundos, suficientes para que ela desse uns pulos. Quando voltou pra sala, ela já não estava lá. Havia pulado até a sala de jantar. Ele a encontrou no chão e teve ali sua última relação.
No meio da embolação, deixou cair a faca da mão. Mas nem percebeu, porque só pensava no que era seu. E queria gozar, sem se refrear. Mas ela, muito esperta, fez a coisa certa: sussurrou palavras no seu ouvido, aumentando sua libido. E quando veio o gozo afinal, veio também o dia final. A faca que estava no chão, atravessou o pescoço dele numa fração. Golpe certeiro, derradeiro. Ele caiu de cara no chão. E com um sorriso no rosto, virou um homem morto.
Ela que antes estava celebrando, saiu daquela casa se arrastando e chorando. Ela foi presa, julgada e abssolvida. Agira em legítima defesa, afinal estava amarrada e sendo estuprada. E ele que queria se livrar dela, conseguiu. Agora está longe, nem sei onde. Mas ambos estão na pior: ele porque queria ter ficado e ela porque não queria sua vida ter tirado. O ser-humano é um bicho desumano. Pede para a relação acabar, mas quando isso acontece, começa a reclamar. Vai entender!
_____________________________________________________________
Baseado numa sabedoria popular: "quem planta vento, colhe tempestade!"
08/12/2010
Verdade e ilusão
Será que a verdade é também ilusória quando se vive uma ilusão?
Ou será que a verdade está fora, esperando encontrar alguma razão?
Qual a razão da verdade que se quer ilusão?
E como iludir a verdade sem iludir a razão?
Se a verdade não existe, a razão também não.
Porque quando se busca a verdade é a que a razão quer conhecer,
É a razão que se quer (ou se pode) estabelecer.
Se Deus não existe a verdade total também não.
E aí, o fim da verdade total não elimina a razão.
Prlo contrário expande a razão.
Mas se Deus existe, vamos em busca de uma verdade parcial.
E aí, a razão é também crucial.
Assim, matar a verdade como ilusão é ideologia.
Ideologia para fazer crer que estamos livres para criar ilusão.
Aí, quem cria ilusão não vai além de conformar-se a um padrão.
Mesmo que a um outro padrão.
Então, ficamos sem opção?
Tudo isso aponta para a liberdade,
Que está antes da verdade,
E que me permite viver ou não uma ilusão.
Mas quando não se é livre para escolher
Ou quando não estão claras as opções,
Porque ocultada a verdade pela razão,
Como não viver uma ilusão?
Esclarecer a verdade (racional ou parcial) é sempre abrir para a negociação.
E é nesse campo que entra a liberdade de viver ou não uma ilusão.
Quero dizer, com tudo isso, que viver uma verdade ou uma ilusão,
Deve ser sempre uma questão de opção.
Do contrário, teremos dominação.
Pra terminar, deixo de lado minha predileção
E volto àquela velha questão:
A fome é uma verdade ou uma ilusão?
E a intolerância?
E o desemprego?
E a violência?
E tantas outras formas de exploração?
Então, para de dizer que a verdade é uma ilusão!
Pode ser pra você, mas pra quem sofre, não.
________________________________________________
A verdade existe. Seja a sua ou a de Deus. Querer matar a verdade é ideologia e também produz alienação. Só não dá pra viver achando que não se é responsável pela maneira como se vive e como se lê a verdade. Não se trata de razão, mas de liberdade. Descansa em paz!
Ou será que a verdade está fora, esperando encontrar alguma razão?
Qual a razão da verdade que se quer ilusão?
E como iludir a verdade sem iludir a razão?
Se a verdade não existe, a razão também não.
Porque quando se busca a verdade é a que a razão quer conhecer,
É a razão que se quer (ou se pode) estabelecer.
Se Deus não existe a verdade total também não.
E aí, o fim da verdade total não elimina a razão.
Prlo contrário expande a razão.
Mas se Deus existe, vamos em busca de uma verdade parcial.
E aí, a razão é também crucial.
Assim, matar a verdade como ilusão é ideologia.
Ideologia para fazer crer que estamos livres para criar ilusão.
Aí, quem cria ilusão não vai além de conformar-se a um padrão.
Mesmo que a um outro padrão.
Então, ficamos sem opção?
Tudo isso aponta para a liberdade,
Que está antes da verdade,
E que me permite viver ou não uma ilusão.
Mas quando não se é livre para escolher
Ou quando não estão claras as opções,
Porque ocultada a verdade pela razão,
Como não viver uma ilusão?
Esclarecer a verdade (racional ou parcial) é sempre abrir para a negociação.
E é nesse campo que entra a liberdade de viver ou não uma ilusão.
Quero dizer, com tudo isso, que viver uma verdade ou uma ilusão,
Deve ser sempre uma questão de opção.
Do contrário, teremos dominação.
Pra terminar, deixo de lado minha predileção
E volto àquela velha questão:
A fome é uma verdade ou uma ilusão?
E a intolerância?
E o desemprego?
E a violência?
E tantas outras formas de exploração?
Então, para de dizer que a verdade é uma ilusão!
Pode ser pra você, mas pra quem sofre, não.
________________________________________________
A verdade existe. Seja a sua ou a de Deus. Querer matar a verdade é ideologia e também produz alienação. Só não dá pra viver achando que não se é responsável pela maneira como se vive e como se lê a verdade. Não se trata de razão, mas de liberdade. Descansa em paz!
07/12/2010
Uma breve história de... duas pessoas juntas
Essa é a história de Norberto e Santinha. E por se tratar da história dos dois, vamos evitar falar de cada um em particular. Essa história pode ser parecida com milhares de outras que estão sendo produzidas por aí.
Eles já se conheciam. Ou parecia. Havia temor e respeito entre eles. O temor se foi. O respeito continuou vivo. Um já esperava o outro, mas não sabiam. Idealizavam coisas parecidas e encontraram um no outro a materialização de suas projeções.
Apesar de se encontrarem e se encaixarem bem, percebiam que a distância que os separava, também os levava além: tentaram a surdina, mas não foi suficiente. Tentaram a visibilidade, mas não ficaram a vontade. Resolveram, então, terminar e suportar a dor que iria começar.
Seguraram por um bom tempo, sempre remoendo. Até que o fim da angústia chegou. E veio num lamentoso torpedo, que nem sei quem mandou: "Sds". Foi o que precisavam para a guerra recomeçar, para os torpedos começarem a bombardear, de lado a lado. E o coração dos dois, que já andava frustrado e magoado, começou a se quebrar.
Foram anos esperando, sem nenhum retorno, sem nenhum momento em que seus pensamentos não estivessem um no outro. Mesmo em meio à labuta, ambos pensavam em como poderia ter sido a luta conjunta. Agora já era tarde, mas resolveram tentar. Cada dia uma dificuldade, cada dia uma felicidade. E no fim das contas, quando nem se deram conta, já estavam juntos há trinta anos, três anos, três meses, sei lá. O que importa é não sentir o tempo passar. Porque o que se faz sem peso é feito com desejo, é feito com ardor, efeito do amor.
No dia do aniversário de namoro ele recebeu um torpedo dela: "Parabéns, meu nego, por chegarmos até aqui. Nunca me senti tão bem com alguém como me sinto com vc. Parece que fui feita para ficar abraçada com vc!" Após ler a mensagem, ele deu um sorriso, levantou a cabeça com os olhos abertos para os céus, como quem agradecesse a Deus pelo amor da amada, e gritou o nome dela bem alto, esquecendo onde estava. Os pedestres o olharam com curiosidade, achando que se tratava de alguma insanidade. Ele se recompôs e pôs-se a responder: "obrigado vc, por ser vc. T amo!"
Mais tarde, naquele mesmo dia, aconteceu o que não se queria: eles discutiram. Mas descobriram que o conflito faz parte da vida, que toda relação entre iguais é assim. E aprenderam também que não se deve dormir sem se redimir. E lá se foi mais um torpedo: "você tem toda razão. Sorry, baby. Continuo t amando". Antes mesmo do dia acabar recebeu sua mensagem mais espetacular: "Na verdade vc q tem sempre razão...e acho q mesmo se não tivesse eu t amaria! bj, meu nego".
E foi assim, em meio ao bombardeio de torpedo, que o amor recomeçou e se intensificou. Como terminou? Igual a todo fim, com um ponto final.
_____________________________________________
Mais importante que idealizar é realizar. Realizar-se na (e com a) outra pessoa, na primeira pessoa do plural. Não gosto de finais felizes porque são muito excepcionais. Gosto de meios felizes. Meios inteiramente felizes, mesmo em meio aos deslizes.
Eles já se conheciam. Ou parecia. Havia temor e respeito entre eles. O temor se foi. O respeito continuou vivo. Um já esperava o outro, mas não sabiam. Idealizavam coisas parecidas e encontraram um no outro a materialização de suas projeções.
Apesar de se encontrarem e se encaixarem bem, percebiam que a distância que os separava, também os levava além: tentaram a surdina, mas não foi suficiente. Tentaram a visibilidade, mas não ficaram a vontade. Resolveram, então, terminar e suportar a dor que iria começar.
Seguraram por um bom tempo, sempre remoendo. Até que o fim da angústia chegou. E veio num lamentoso torpedo, que nem sei quem mandou: "Sds". Foi o que precisavam para a guerra recomeçar, para os torpedos começarem a bombardear, de lado a lado. E o coração dos dois, que já andava frustrado e magoado, começou a se quebrar.
Foram anos esperando, sem nenhum retorno, sem nenhum momento em que seus pensamentos não estivessem um no outro. Mesmo em meio à labuta, ambos pensavam em como poderia ter sido a luta conjunta. Agora já era tarde, mas resolveram tentar. Cada dia uma dificuldade, cada dia uma felicidade. E no fim das contas, quando nem se deram conta, já estavam juntos há trinta anos, três anos, três meses, sei lá. O que importa é não sentir o tempo passar. Porque o que se faz sem peso é feito com desejo, é feito com ardor, efeito do amor.
No dia do aniversário de namoro ele recebeu um torpedo dela: "Parabéns, meu nego, por chegarmos até aqui. Nunca me senti tão bem com alguém como me sinto com vc. Parece que fui feita para ficar abraçada com vc!" Após ler a mensagem, ele deu um sorriso, levantou a cabeça com os olhos abertos para os céus, como quem agradecesse a Deus pelo amor da amada, e gritou o nome dela bem alto, esquecendo onde estava. Os pedestres o olharam com curiosidade, achando que se tratava de alguma insanidade. Ele se recompôs e pôs-se a responder: "obrigado vc, por ser vc. T amo!"
Mais tarde, naquele mesmo dia, aconteceu o que não se queria: eles discutiram. Mas descobriram que o conflito faz parte da vida, que toda relação entre iguais é assim. E aprenderam também que não se deve dormir sem se redimir. E lá se foi mais um torpedo: "você tem toda razão. Sorry, baby. Continuo t amando". Antes mesmo do dia acabar recebeu sua mensagem mais espetacular: "Na verdade vc q tem sempre razão...e acho q mesmo se não tivesse eu t amaria! bj, meu nego".
E foi assim, em meio ao bombardeio de torpedo, que o amor recomeçou e se intensificou. Como terminou? Igual a todo fim, com um ponto final.
_____________________________________________
Mais importante que idealizar é realizar. Realizar-se na (e com a) outra pessoa, na primeira pessoa do plural. Não gosto de finais felizes porque são muito excepcionais. Gosto de meios felizes. Meios inteiramente felizes, mesmo em meio aos deslizes.
06/12/2010
Maria bonita!
Eu que não costumo publicar textos de terceiros nesse blog, hoje rendo homenagens a Domingos Oliveira, pelo texto poético que escreveu para celebrar o ensaio fotográfico de Maria Ribeiro, mulher de Caio Blat, na Trip de novembro. O texto é tão lindo quanto o ensaio. Faço minhas as palavras do cineasta, que publico abaixo. Não é pra ler, é pra degustar ao som da música "María en la playa", de Compay Segundo ("Ay María ven"). Gostaria de poder escrever um texto assim um dia. Poesia pura! Maria bonita! Pena que tudo que é sólido se desmancha no ar.
É difícil escrever um artigo assim sem o marido ficar com ciúme. Preciso não olhar muito para as fotografias. Caio Blat, não sei como dizer, mas afirmo que você pode se considerar bem aquinhoado pelo destino. Apesar de pequenina, MARIA sem dúvida apresenta uma paisagem de muitos vales e montanhas, a ser enfrentada por um explorador sem medo e com muito tempo disponível. A impressão que me da é que cada centímetro de MARIA pode se transformar em inesquecíveis aventurosos quilômetros.
Casamentos costumam falhar por excesso de rotina. Uma vez conhecido o brinquedo a criança não quer mais, quebra-o provavelmente de ódio por não ser mais novidade. A novidade é a alma do negócio, a fonte do prazer. No amor e em outras volúpias congêneres. A fonte do prazer não é o instinto, é o conhecimento.
E, nesse ponto, MARIA oferece um privilégio raro para qualquer homem, um verdadeiro milagre. Ele pode ser polígamo sem ser infiel! Porque MARIA são muitas. Dá sem dúvida trabalho manter tantas bolas no ar. Porque se o semáforo abre antes da hora uma delas rola pelo chão e um espertalhão pode roubá-la. Quero dizer que MARIA é um malabarismo que principia na palma da minha mão.
Ela é basicamente sete. São sete mulheres todos os dias. Cansativo, mas muito interessante.
Primeira: MARIA mulher. Olhai agora as fotos e segurai-vos na cadeira, incauto leitor. Indubitavelmente é papa-fina, leite de cabra, delírio.
Segunda: MARIA intelectual. Ela sabe de tudo. Mulher bem informada, cheia de senso de humor. Ou seja, não é fácil. Rigorosa, radical, exigente, poucos sócios em seu clube. Capaz de transformar qualquer papo cabeça em aventura romântica. Ou em duelo de morte.
Terceira: MARIA artista. Atriz e cineasta de valor, que fez um documentário sobre a minha modesta pessoa que está por estrear, intitulado Domingos. Não é uma gracinha? Diz ela que fez porque me ama, porque um dia entrou na minha casa para ler uma peça e deu vontade de morar lá, ficar para sempre. Somos completamente diferentes, eu e ela. E iguais ao mesmo tempo. Daríamos um casamento extravagante se não fôssemos ambos comprometidos. Quero dizer, MARIA, que se eu tivesse muitas vidas, te dava uma.
Quarta: MARIA mãe. Ela é louca pelo Bento e pelo João, na verdade sem tempo disponível para o que não seja deveres maternos. Porém, boas mães é tudo o que verdadeiros homens sempre almejaram. Para si, é claro.
Quinta: MARIA bonita. Daquela beleza que se alimenta na persistência da observação. Quanto mais olhamos, mais bonita ela fica. Realmente o inventário das belezas de MARIA vai do topo da cabeça ao fundo dos pés.
Sexta: MARIA amiga. Fiel e dedicada guardiã de amizades. Mulher de amigo meu para mim é homem, mas mulher amiga minha é mulher mesmo.
Sétima: MARIA Ribeiro. Mix pós-moderno de todas elas. Fusão de corpo e alma. MARIA.
Eu diria que MARIA é magia, calmaria, aristocracia, acrobacia, euforia, nostalgia, anarquia e alegria. Facilitaria a poesia se todas as mulheres chamassem MARIA.
___________________________________
Domingos Oliveira é ator, dramaturgo e cineasta. Dirigiu, entre outros, Separações (2002) e Todas as Mulheres do Mundo (1966)
O link para o ensaio completo é o seguinte: http://revistatrip.uol.com.br/revista/194/trip-girls/maria-ribeiro.html
Depois lembrei-me de outra música que bem poderia embalar a leitura do texto acima: Beautiful María of my soul (Bela María de mi alma), também cantada por Compay Segundo, embora não seja de sua autoria. Há uma versão dessa música em que Compay canta com Antonio Banderas. A letra (em espanhol) é linda e termina expressando um amor inapagável: "Si no te vuelva a ver/No dejarás de ser/La bella María de mi amor".
É difícil escrever um artigo assim sem o marido ficar com ciúme. Preciso não olhar muito para as fotografias. Caio Blat, não sei como dizer, mas afirmo que você pode se considerar bem aquinhoado pelo destino. Apesar de pequenina, MARIA sem dúvida apresenta uma paisagem de muitos vales e montanhas, a ser enfrentada por um explorador sem medo e com muito tempo disponível. A impressão que me da é que cada centímetro de MARIA pode se transformar em inesquecíveis aventurosos quilômetros.
Casamentos costumam falhar por excesso de rotina. Uma vez conhecido o brinquedo a criança não quer mais, quebra-o provavelmente de ódio por não ser mais novidade. A novidade é a alma do negócio, a fonte do prazer. No amor e em outras volúpias congêneres. A fonte do prazer não é o instinto, é o conhecimento.
E, nesse ponto, MARIA oferece um privilégio raro para qualquer homem, um verdadeiro milagre. Ele pode ser polígamo sem ser infiel! Porque MARIA são muitas. Dá sem dúvida trabalho manter tantas bolas no ar. Porque se o semáforo abre antes da hora uma delas rola pelo chão e um espertalhão pode roubá-la. Quero dizer que MARIA é um malabarismo que principia na palma da minha mão.
Ela é basicamente sete. São sete mulheres todos os dias. Cansativo, mas muito interessante.
Primeira: MARIA mulher. Olhai agora as fotos e segurai-vos na cadeira, incauto leitor. Indubitavelmente é papa-fina, leite de cabra, delírio.
Segunda: MARIA intelectual. Ela sabe de tudo. Mulher bem informada, cheia de senso de humor. Ou seja, não é fácil. Rigorosa, radical, exigente, poucos sócios em seu clube. Capaz de transformar qualquer papo cabeça em aventura romântica. Ou em duelo de morte.
Terceira: MARIA artista. Atriz e cineasta de valor, que fez um documentário sobre a minha modesta pessoa que está por estrear, intitulado Domingos. Não é uma gracinha? Diz ela que fez porque me ama, porque um dia entrou na minha casa para ler uma peça e deu vontade de morar lá, ficar para sempre. Somos completamente diferentes, eu e ela. E iguais ao mesmo tempo. Daríamos um casamento extravagante se não fôssemos ambos comprometidos. Quero dizer, MARIA, que se eu tivesse muitas vidas, te dava uma.
Quarta: MARIA mãe. Ela é louca pelo Bento e pelo João, na verdade sem tempo disponível para o que não seja deveres maternos. Porém, boas mães é tudo o que verdadeiros homens sempre almejaram. Para si, é claro.
Quinta: MARIA bonita. Daquela beleza que se alimenta na persistência da observação. Quanto mais olhamos, mais bonita ela fica. Realmente o inventário das belezas de MARIA vai do topo da cabeça ao fundo dos pés.
Sexta: MARIA amiga. Fiel e dedicada guardiã de amizades. Mulher de amigo meu para mim é homem, mas mulher amiga minha é mulher mesmo.
Sétima: MARIA Ribeiro. Mix pós-moderno de todas elas. Fusão de corpo e alma. MARIA.
Eu diria que MARIA é magia, calmaria, aristocracia, acrobacia, euforia, nostalgia, anarquia e alegria. Facilitaria a poesia se todas as mulheres chamassem MARIA.
___________________________________
Domingos Oliveira é ator, dramaturgo e cineasta. Dirigiu, entre outros, Separações (2002) e Todas as Mulheres do Mundo (1966)
O link para o ensaio completo é o seguinte: http://revistatrip.uol.com.br/revista/194/trip-girls/maria-ribeiro.html
Depois lembrei-me de outra música que bem poderia embalar a leitura do texto acima: Beautiful María of my soul (Bela María de mi alma), também cantada por Compay Segundo, embora não seja de sua autoria. Há uma versão dessa música em que Compay canta com Antonio Banderas. A letra (em espanhol) é linda e termina expressando um amor inapagável: "Si no te vuelva a ver/No dejarás de ser/La bella María de mi amor".
05/12/2010
Reflexões poéticas sobre o tudo
Ter é o primeiro passo para perder.
E nem é preciso ter,
Basta achar que se tem.
A liberdade começa quando somos capazes de libertar.
Isso é tudo!
..................................
Se a gente não tivesse nada, teria de conquistar tudo, todo dia. A propriedade é nossa desgraça!
E nem é preciso ter,
Basta achar que se tem.
A liberdade começa quando somos capazes de libertar.
Isso é tudo!
..................................
Se a gente não tivesse nada, teria de conquistar tudo, todo dia. A propriedade é nossa desgraça!
04/12/2010
Sorriso
Meu belo sorriso se foi.
E fico pensando onde estará,
Quando voltará
E se ficará?
Quem não gostaria de ter de volta sua alegria?
Quem não queria sorrir todo dia?
02/12/2010
E que outras fossem menos
Queria que algumas pessoas fossem mais resignadas
E que outras fossem menos.
Queria que algumas pessoas fossem mais humildes
E que outras fossem menos.
Queria que algumas pessoas fossem mais bonitas
E que outras fossem menos.
Queria que algumas pessoas fossem mais sinceras
E que outras fossem menos.
Queria que algumas pessoas fossem mais comunicativas
E que outras fossem menos.
Queria que algumas pessoas fossem mais honestas
E que outras fossem menos.
Queria que algumas pessoas fossem mais sensíveis
E que outras fossem menos.
Queria que algumas pessoas fossem mais ricas
E que outras fosssem menos.
Queria que algumas pessoas fossem mais talentosas
E que outras fossem menos.
Queria que algumas pessoas fossem mais humanas
E que outras fossem menos.
Queria que algumas pessoas fossem mais compreensíveis
E que outras fossem menos.
Queria que algumas pessoas fossem mais corajosas
E que outras fossem menos.
Queria que algumas pessoas fossem mais apaixonadas
E que outras fossem menos.
Queria que algums pessoas fossem mais tolerantes
E que outras fossem menos.
Queria que algumas pessoas fossem mais preocupadas
E que outras fossem menos.
Queria que algumas pessoas fossem muitas coisas mais
E que outras fossem menos.
Se outras fossem menos,
Eu seria mais.
Se outras fossem mais,
Eu seria menos.
Equilíbrio não é harmonia,
É tensão e poesia.
\ssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssddccc (Tito again)
Imagem: Tres Mujeres, acrílico sobre tela de Gabriela Rota.
E que outras fossem menos.
Queria que algumas pessoas fossem mais humildes
E que outras fossem menos.
Queria que algumas pessoas fossem mais bonitas
E que outras fossem menos.
Queria que algumas pessoas fossem mais sinceras
E que outras fossem menos.
Queria que algumas pessoas fossem mais comunicativas
E que outras fossem menos.
Queria que algumas pessoas fossem mais honestas
E que outras fossem menos.
Queria que algumas pessoas fossem mais sensíveis
E que outras fossem menos.
Queria que algumas pessoas fossem mais ricas
E que outras fosssem menos.
Queria que algumas pessoas fossem mais talentosas
E que outras fossem menos.
Queria que algumas pessoas fossem mais humanas
E que outras fossem menos.
Queria que algumas pessoas fossem mais compreensíveis
E que outras fossem menos.
Queria que algumas pessoas fossem mais corajosas
E que outras fossem menos.
Queria que algumas pessoas fossem mais apaixonadas
E que outras fossem menos.
Queria que algums pessoas fossem mais tolerantes
E que outras fossem menos.
Queria que algumas pessoas fossem mais preocupadas
E que outras fossem menos.
Queria que algumas pessoas fossem muitas coisas mais
E que outras fossem menos.
Se outras fossem menos,
Eu seria mais.
Se outras fossem mais,
Eu seria menos.
Equilíbrio não é harmonia,
É tensão e poesia.
\ssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssddccc (Tito again)
Imagem: Tres Mujeres, acrílico sobre tela de Gabriela Rota.
01/12/2010
Dicão
Essa é para meu amigo Dicão, que não me conhece, mas que considero um irmão. O que preciso falar aqui não é ilusão, embora possa parecer ficção. São duas realidades buscando a verdade, sedentas por afinidade. A história de Dicão começa lá atrás, quando conheceu alguém que lhe tirou a paz. Alguém que não se faz. Uma raridade que se tornou uma beldade. Um lindo projeto de mulher, que ficou melhor. Ela ainda é, uma linda mulher. Mas, voltemos a Dicão, que ficou algumas vezes com aquela beleza até que se separaram com frieza. Não se viam com frequência, mas tinham alguma convivência. Dicão tocava sua vida e, de repente, recebeu aquela visita. Cheia de amor pra dar. Tanto amor que consigou engravidar. Depois que engravidou, ela o abandonou. E voltou pra sua casa, voltou pra onde estava. Mas nada mais era como deixara. E pagou caro por sua maneira ousada. Dicão ficou atordoado, pior do que era encontrado. Com o filho roubado e o coração destroçado. Se perguntarem pra ele como tudo aconteceu, não saberá dizer como se sucedeu. Foi tudo muito rápido, como o efeito de um ácido. E ele que costumava usar drogra nunca tinha experimentado antes uma onda assim, sem fim. Mas quer saber de uma coisa, não tenho pena de Dicão, que sofreu o quanto fez sofrer. E recebeu o que estava a merecer. Ele é atlético, enérgico e acéfalo. Estava com a cabeça onde não devia, onde não se via. E pagou pelo que fez, pelo que nem fez. E ela leva mais uma bola de ferro nos pés. E um bebê nos braços. E ninguém a quer.
Final duplamente infeliz, como se quis.
Final duplamente infeliz, como se quis.









