20/09/2013

Cuidado

E se não houver libido,
Haverá gemido?
E se faltar o pão
Haverá um pau?
Se se quiser chegar
A algum lugar
Tem de aprender a esperar
O momento certo,
As fases da vida,
Que não pertence a você.

Não pode faltar a poda,
A rega
E o sol.
Trabalhos diários,
Cansativos como todos os demais.
Recompensador!
Recompensa a dor
Do cuidado.

19/09/2013

Burro!

Sou mais burro do que pretendia.
E, no entanto, o capim não é o meu fim.
Mas o mato me atrai.
Assim como você.

18/09/2013

Olho e não vejo

Olho para os meus olhos
E não os vejo meus.
De que adianta ter olhos
E não me ver nos seus?

17/09/2013

Viveria e vivo


Eu não viveria
Sem você.
E, no entanto, vivo
Esperando entender
Nossos momentos,
Aquele sentimento
De que não ouso
Dizer.
Só sentir.
Viver
A seu lado
Meu amor.

16/09/2013

Não sou nada além

Não estou nada
Bem.
Não sou nada
Além
Do meu amor,
Carrega-dor de sonhos
E ilusões perfeitas,
Que não matam
Nem engordam.

15/09/2013

Poesia leve e leviana

Sinto que não sou deste mundo,
Dos justos e honestos.
Preciso voltar ao submundo,
Às graxas,
Aos gozos,
À dinâmica do amor:
Ilimitado,
Indecente,
Impenitente...
Salve-me dessa ordem
Das coisas cinzas!
Dá-me a liberdade
E a encherei de beijos
E de carnes pingantes
Com gostos picantes,
Conforme o seu paladar,
Sua vontade de comer
Com o seu amor.
Vamos nos devorar
Até o sono chegar.

14/09/2013

Vai (curtir)


Às vezes a gente vai longe só pra poder voltar, pra rever a paisagem e os percalços do caminho, que nos fazem repensar o destino, que chega mesmo quando não é fim.
Às vezes a gente vai pra não voltar. Daí a importância de ir devagar, de viver intensamente o instantâneo, que é nosso meio (ambiente).

13/09/2013

Envelhecimento

Envelheci.
E descobri:
Envelhecer é um prazer.
É poder
Rever
O que não se foi.
Caem as peles,
Os pelos
E as censuras.
Mas o coração nem sofre,
Ele já é forte,
Resignado,
Cicatrizado...

Envelheci as memórias
Descartei as pessoas
Que fui,
Que se foram,
Aglutinando em mim.
E passo os dias esperando o fim,
Mas adiando seu começo.
Porque não há razão para não ser
O que nunca fui.
Quero todas as remelas
A meu lado.
Quero as magrelas
E cheias panelas.

Quero não pensar em nada
Que me faça ansiar.
Quero não fazer nada
Que não queira.
E quero realizar expectativas.
Certo de que é o que me salvará
Do passado,
No futuro.

Quero poder
Mudar de ideia,
E rasgar o que fiz,
Inventar o que não fiz...
Recomeçar
É pra já.

12/09/2013

Mar espumante

As ondas estouram na areia.
A noite negra valoriza as estrelas
E a cidade não nos vê.
Mas o coração poeta,
Entrega o sorriso franco.
As coxas grossas se apertam com gemidos
E a bunda grande apalpa minhas mãos.
Não há modos
Para expressar
Amor,
O que há entre nós.
Quando nos encontramos o ridículo vem
Iluminar a escuridão de nossos desejos.
E o mico se solta
Inebriando a razão que nos molda,
Que quer nos aprisionar em nós.
Fechar os olhos é sempre subversivo,
Abre sempre um novo horizonte,
Onde o caos abraça a vida
E guia a moral que não cabe
Em uma garrafa de espumante
Na areia escaldante.

11/09/2013

Solidão

Há uma solidão a que me obrigo,
Uma escuridão em que me abrigo.
E ninguém quer só me ver.