10/11/2013

Não há sentimentos mentirosos

E quando os olhos se fecham,
Um mundo novo se abre.
E se enchem de alegrias,
E fantasias os dias.
E nenhum de nós será capaz de viver
Fora desse mundo;
Ninguém poderá desmentir
Se sentir.
Como sentimos,
Juntos,
Tantos sentimentos
Findos.
Sinto muito!

09/11/2013

Não sou o que não quero ser

Não sou mais que um poeta.
E todo o resto é mito,
Tenho dito.
É estória pra quem quiser ouvir,
Pra boi dormir.
Mas quem quiser viver...
Terá que decidir
A que domínio quer servir:
Do bem-querer
Ou do maldizer.
Feche os ouvidos,
Feche os olhos,
Feche a boca...
E abre seu coração.
Até sangrar seu gozo
Mais viscoso,
Derretido da vela
Que você segura
No calor da sua mão,
Impura!
E deixa pingar.
Deixa pingar.
Até ser consumida inteira
Pelo prazer
De brincar com fogo.
E renovada suspende
Sua moral.
Tudo isso é energia.
E tudo o mais é sombra
Da lua em nós.
Volta no próximo ciclo,
Com muita força
De vontade.
E nunca terá fim.
..........................................................    ....   ...... . . . ... .. . ...... ..   ..
Foto de um texto do Leminski. Indicação de uma amiga que se foi.

08/11/2013

Fúria

Hoje estou furioso.
E porque não deveria estar
Se acordei com você em cima de mim,
Pegando no meu pé
E largando sua mão no meu pescoço?
Vou bater boca com você,
Para você apanhar os cacos de nós
E remendar meu bem
Fazer...
Não quero mais saber,
Só quero você!

07/11/2013

Amigo que se foi um dia só

Meu amigo se foi,
Tombou como a perimetral.
Levou suas marcas
Para longe dos meus olhos.
E não deixou saudade,
Mas levou.
E continuará levando
Enquanto não mudar de vez,
Porque ele quer ser sempre o primeiro.
E nunca o último.
Saber perder é para poucos,
E vencer é só
Ilusão.

06/11/2013

O fim e o começo (das reações)

Você já se foi
E as aftas vêm me ver.
Não há mais o que esperar além
Do fim das ilusões e...
Do início das caspas.

05/11/2013

Desaparecer no fim (do dia) é uma catástrofe

É só você aparecer
Para eu desaparecer:
Quando você chega,
Eu digo chega!
E se me vem a saudade,
Me vai o juízo.
E alguns trocados.
Ninguém dorme na esteira porque quer.
E quem se encontra perdido
Não sabe ler nem uma placa, nem um aviso.
E a catástrofe parece inexorável,
Enquanto os olhos estiverem abertos.

04/11/2013

O óbvio é o que não se vê, é perecer

Escorre a matança (diária)
Que ninguém vê,
Sem ninguém ser
Feliz.
E o contorno da vida parece ser
O vazio,
O perecer.

03/11/2013

Cresce o fim

O fim do mundo é aqui,
Todo dia.
E quem não sabe
Não teme perder a vida,
Nem a honra.
Mas quanto mais se sabe o que acontece,
Mais se vê
O fim de tudo,
Todo dia.
Até que, enfim, chegue.
Porque o que se vê de longe
Um dia cresce
Diante de nossos olhos.
E nos cega,
E nos mata
Adentro.

02/11/2013

Memória

É preciso lembrar (de matar) o que está vivo.
Porque viver é esquecer (o que está morto)!

01/11/2013

Deixa pra lá e fica, assim como a saudade

E se não falássemos,
Se nos calássemos?...
E se só nos amássemos,
Com intensidade
E olhos fechados?...
Ah, se voltássemos
Ao tempo das batidas
E do samba!...
Onde estaria a saudade?
Deixa ela ficar!