21/11/2013

Bicicleta vazia não para em pé. Coração não para só.

Há um coração vazio
Em algum lugar.
Não sei precisar.
Mas quando encontrar alguém
Assim,
Estará além
De mim.
Porque não consigo depender
Do coração palpitante,
No tocante ao querer;
Nem viver a depender
De outro batimento,
De algum complemento,
Que tem sua própria cadência,
Sua própria demência.
Assim, só sou.
E rezo na cartilha da razão,
Meu coração.
...............................................................................
Essa poesia foi originariamente chamada de "O coração errante adora um berrante". Mas depois, na hora de digitá-la, resolvi rebatizá-la. Fique com o nome que quiser. Mas com a pessoa também.

20/11/2013

A baba doce desce a barba boba

Se minha barba chegar ao peito,
Não tem jeito,
Estou com defeito,
Não há mais coração,
Só cacos de afetos.
São(s) efeitos
De uma cabeça fértil
E um coração estéril.

19/11/2013

Pele, carne, sangue, alma e... Só!

Nosso lance deixou de ser
Uma coisa de pele,
Epiderme,
E desceu à carne.
E contaminou o sangue,
E apodreceu os ossos
E esvaiu a alma.
Deixou de ser sentido
E passou a ser "sentido!"
De lado a lado.
Continuo vegetariano.
E só.

18/11/2013

Verde musgo

Olha esse verde esmeralda!
Verde fechado,
Pra correr.
Uma floresta ao meu redor
Sem nenhum animal
Além de mim.
Esse verde me descansa,
Isso tudo me cansa.
......... . .. ...... . .. . .....................
nov/2011

17/11/2013

O presente não é da gente

Não há futuro.
E você
Que se acha gostosa
E não sabe curtir o seu presente,
A não ser de forma reticente,
Não imagina o mal que virá,
E o bem que ele trará:
Conformar-se.
Formar-se com
O seu amor,
Na fôrma resignada do nada
A declarar
Poesias que se apagam,
Profecias que se apegam...
E o todo dia a ensinará
Que só se tem o que se faz
Com lutas no caminho...
E olhos fechados,
Que é pra não enjoar.
Tudo mais cairá (por terra)!

16/11/2013

Ela vai andando

Ela vai andando por aí,
Atrás de mim,
Através de nós,
Sem achar nada ruim,
Sem se achar.

15/11/2013

Canela

Não sou flor
Que se cheire,
Que se amasse
Sem se machucar.
Aliás, flor quase não há
Que se aproxime de mim.
Mas não me falta aroma
Que saem dos espinhos
Quando se quebram.
Se se quebram.
Então, a sorte de me encontrar
É poder
Se ferir.
Para sentir,
Em si,
Meu cheiro.
Sou pau seco de canela.

14/11/2013

Em busca da paz

Há um pedaço de você
No meu (mau) caminho.
Há o que procurar
Mesmo sem se achar perdido.
Leva as pedras do caminho.
Mais à frente você vai precisar,
Para erguer uma morada
Ou para resistir à brigada.
E deite e role no seu chão pueril,
Lave as feridas com creolina
E leve-as consigo.
E depois cubra-se de mel.
A doçura da vida
Não está na falta de dor,
Mas em poder provar,
Compartilhar, amor!
E se deixar experimentar
Por quem encontrar
(Paz em você).

13/11/2013

Buscando o equilíbrio

Busco compreender o que não busquei,
E nunca sei
O que se passa,
A quem se mata...
E se não ligo para o outro,
Ele liga pra mim;
Mais do que deveria,
Menos do que gostaria.
E se há equilíbrios
É porque tudo é maior do que nós.
Sigamos sós,
Em meio à multidão
De desejos.
Buscando o equilíbrio.

11/11/2013

Almas contra armas

Masca o tiro,
Engole a bala (de borracha),
Cheira o gás do choro,
Morde a pimenta líquida
E fortalece a carcaça.
Para resistir ao carcará,
Esse estado
De coisas débeis
E mórbidas,
Que mortifica a cidadania
Em nome da ordem
De natureza morta
E enterrada
Em denúncias e contrassensos.