29/02/2008

Homenagem


Hoje estou sendo homenageado pela turma de Servico Social que ingressou na UFES em 2004, da qual fui professor de Sociologia I. Foi uma turma marcante porque carinhosa e estudiosa. E olha que eu peguei pesado com eles, dando teorias sociológicas para análise das desigualdades sociais. Mas pelo jeito valeu a pena todo o esforço. Desejo todo sucesso pessoal a esses novos profissionais dedicados a minorar os problemas sociais brasileiros.
UM BRINDE A VOCES!!!

11/01/2008

Derrotas e Vitória

São tantas as derrotas,
São todas as derrotas,
Que nos faz pensar
O valor de uma vitória.
Uma vitória.
Aquela vitória.
Só será vitória
Se puder ser valorizada como tal.
Vitória de quem não sabe o que é derrota,
Não é vitória.
É cotidiano,
É rotina,
É vida corriqueira.
Só não é vitória.
Só conhece o gosto da vitória
Os que sabem o que é derrota.
Quem sabe o que é derrota?
Quem sabe o que é vitória?
Vitória é a realização de quem sabe o que é derrota.
Uma derrota.
Muitas derrotas.
Cem derrotas,
Uma vitória.
Sem derrotas,
Não há vitória.
Passo por todas as derrotas,
E são muitas derrotas,
Para aprender a valorizar uma vitória:
Uma vitória
Só é vitória porque
São muitas as derrotas.
Uma vitória,
Quando se sabe o que são derrotas,
Tem um sabor melhor do que
Todas as vitórias,
Quando não se sabe o que são derrotas.
Porque quando não se sabe o que são derrotas,
Não se sabe o que é vitória.
Nem uma vitória.
Nenhuma vitória.
Vivo as derrotas,
E são muitas derrotas,
Aguardando a vitória.
Uma vitória.
Uma vitória é mais intensa
Que muitas derrotas.
Chamam isso de esperança.
Chamo isso de certeza.
Certeza de que as derrotas não têm sentido em si mesmas.
Quem dá sentido às derrotas são os derrotados,
Futuros vitoriosos.
São vitoriosos
Quem sabe o que são derrotas.
E a vitória que se espera,
Mesmo em meio às derrotas,
Nos faz prosseguir,
Aprender e caminhar.
Rumo a uma vitória,
Que só sabe o valor
Quem sabe o que são derrotas.
Vitória sem derrotas
Não tem sabor de vitória.
E só é vitória
Porque pôde ser valorizada como tal,
Graças às derrotas.

09/01/2008

Pensa e sofre

Só quem pensa na vida
Sofre na alma.
Só quem sofre na vida
Pensa na alma.

06/01/2008

Paixão

Apaixonar-se é uma perda de tempo.
Quem disse que me importo com o tempo?

03/01/2008

Pare tudo agora!

Faça silêncio e ouça os sons.
Abaixe a cabeça e curta o chão.
Abra os olhos e veja os tons.
Abra a boca e prove bem devagar.
Levante a cabeça e imagine voar.
Feche os olhos e sinta a brisa passar.
A velocidade do mundo você que faz.

01/01/2008

Re-ver e re-viver!



Foi um ano como muitos, cheio de alegrias e com algumas tristezas. Pensar no que passou, fazer um balanço da vida até aqui, das coisas boas e ruins que aconteceram nos últimos 365 dias, é mais um daqueles exercícios de que não podemos escapar. Qual foi o saldo de tudo que passou?

O exame de nossas experiências depende, entre outras coisas, de saber quão marcante uma experiência foi na nossa vida e, mais ainda, de saber o grau de importância que demos a algumas delas, seja considerando-as boas ou ruins. Quer dizer, uma experiência pode ser importante pra mim porque eu atribuo maior valor àquela experiência que a outra.

Mas nenhuma avaliação do que passou deve levar em conta só o que passou. Nenhuma retrospectiva do ano deve deixar de levar em conta também o presente. Nenhum balanço do ano deve deixar de lado o fato de que ainda estamos vivos. Com ou sem saúde, estar vivo é ter a possibilidade de novas experiências, agradáveis ou não, de novos dias e de, no futuro, realizar outras avaliações da vida.

Enfim, qualquer que seja o peso que atribuamos a uma experiência negativa que vivemos, o balanço do ano tem de ser sempre positivo, porque ainda há vida. A vida é o que há de mais importante a avaliar. Mesmo que algumas vidas tenham se perdido durante o ano, temos que lembrar que temos a chance de recordar e avaliar. Pensar no que ficou de quem se foi e em quem ficou. Estar vivo é presente. É um presente. Não se trata de uma perspectiva egoísta do tipo "o que importa é que estou vivo!" Mas como quem lembra que a morte nos ensina a vida, precisamos continuar a viver, a aprender, a avaliar e a viver. A vida se renova quando se aprende com ela. Não estou dizendo que é fácil, mas é necessário: Re-ver e Re-viver! Feliz ano novo!

PS: Homenagem a alguns amigos que perderam entes queridos no ano que passou. Estamos juntos no enfrentamento da dor e da saudade!

15/11/2007

Deus não está


Deus não está à minha disposição.
Deus não está pronto a me servir.
Deus não está esperando o meu louvor.
Deus não está precisando de minha ajuda.
Deus não está nas coisas.
Deus não está em tudo.
Deus não está.
Deus é.

11/11/2007

Palavras


Palavras são como vento:
Ajunta e espalha.
Palavras ao vento.
Palavras são como mar:
Acalma e destrói.
Palavras encharcadas.
Palavras são como sol:
Aquece e seca.
Palavras secas.
Palavras são como armas:
Encorajam e matam.
Palavras assassinas.
Palavras são ditas
E são sentidas.
Palavras sem sentido.
Uma pala lavra.
Larva.
Palavras são palavras.
São palavras.
Só palavras.
Sem palavras.
Palavras.

06/11/2007

Escrita objetiva


Alguém me perguntou por quê eu escrevo coisas importantes em forma de poesia em vez de escrever textos mais elaborados. A pessoa que me perguntou julgou que as coisas sobre as quais escrevo sejam "importantes". E, sinceramente, isso me deixou satisfeito porque também as considero "importantes". Tento com meus escritos mostrar que situações e atitudes aparentemente banais podem estar estruturadas em nossa personalidade ou em nossas relações sociais, para o bem ou para o mal. Aquilo que aparece como individualidade pode ser uma expressão do social: quando olhamos para os lados e para trás e tentamos situar nossas vidas em meio a outras vidas, descobrimos que somos parecidos, que temos as mesmas expectativas e dificuldades. Ora se temos tanta semelhança, isso parece indicar que nossas ações e pensamentos sejam mesmo socialmente condicionados. Mas apesar das semelhanças que nos aproxima, o cotidiano nos separa mais que nos aproxima. Isso se deve à individualização excessiva da vida: somos bombardeados o tempo todo por ideologias individualizantes de consumo e estilo de vida e vivemos como se estivéssemos sós, como se precisássemos resolver sozinhos nossos problemas, como se nossas crises fossem únicas, tão diferentes das dos outros. Acabamos mesmo nos tornando sós. Mas quando fazemos o exercício de nos comparar com outras pessoas e experiências, podemos concluir que há muito em comum em nossas escolhas e angústias. E que, portanto, deveríamos nos aproximar mais, compartilhar mais, nos ajudar mais. Nossos problemas individuais são também sociais, fruto de formações, socializações e desafios que são comuns a todos nós que vivemos numa mesma sociedade e um mesmo tempo histórico.
Mas voltemos objetivamente à questão que deu origem a essa postagem: por quê escrevo poesia em vez de textos como este? Vou ser direto agora: porque as gerações atuais, que são meu público-alvo, não se dedicam à leitura. São tantos textos disponíveis em todo lugar (e até imagens podem ser lidas como texto) que um texto longo corre o risco de ser mais um texto, e talvez seja mesmo. A geração MTV e internet não quer gastar tempo lendo longos textos, ainda mais de desconhecidos, que ao final possa dar a sensação de que foi tempo perdido. Para tentar alcançar com maior eficiência esta geração, fazendo-a refletir após a leitura de um texto meu, prefiro escrever textos curtos, mesmo que isso implique numa perda de profundidade do texto. Confio na capacidade intelectual dos leitores e aposto na iniciativa deles de aprofundar algumas questões levantadas. Ademais, os textos escritos com objetividade e clareza servem como complementação às discussões conduzidas por mim em sala de aula.
Boas leituras! E não deixe de refletir!
Obs: Este foi um texto longo. Quem sabe quantos não desistiram no meio?!

05/11/2007

Preferir


Pre [antes, anterior];
Ferir [machucar, marcar].
Machucar antes.
Marcar antes?
Como uma questão de múltipla escolha
Cuja resposta é a marca.
Marcar na folha.
Marcar uma resposta
Ou outra.
Machucar o papel
E deixar a marca na opção escolhida.
Um X,
Um círculo
Ou uma marquinha qualquer.
Uma marquinha.
Uma marca na folha.
O quanto antes terminar de marcar,
Melhor.
Antes.
Marcar a resposta
Antes de continuar.
Uma a uma.
Marcar a resposta,
Escolher.
Pode ser certa
Ou errada.
Marcar a resposta,
Preferir.
Preferir é escolher.
Mas o que leva a preferir?
Prefiro não dizer.
Quero fazê-lo pensar.
Pense nos fatores
Que levaram você a continuar.
Continue pensando.
De onde vem suas preferências?
De onde vem suas escolhas?
São suas?
O que você prefere?
Preciso ir.
Prefiro questionar.
E você.
E você?