18/12/2012

Não dá mais

Não há meios
De levar adiante
O que ficou para trás:
Respeito.
E você.

21/09/2012

Aflorações defloradas de uma flor caída ao chão (ou "Porra, mas que dor a saudade traz!")

Você é meu amor impossível correspondido,
Depois de tantos interrompidos.
E você também se foi.
Mas me deixou com a certeza que não me deixou de amar.
Eu preciso mais do que posso dar,
Amor.
Preciso acreditar na beleza e nas saudades desse nosso fim.
Guardei pra você todos os meus piores segredos
Num Schiele grande e atormentado por traços desencontrados,
Encontros marcados nunca são observados.
A gente sempre observa mais os erros.
Nunca quis o direito com você.
Preferia sempre sair às escondidas,
Puxando você pelo braço e arrastando seu coração duro morro abaixo,
Pra ver se o quebrava
E libertava o desejo escondido ali.
Dentro de mim nunca houve fim.
Só respeito
E desejo (in)contido por você.
Vai até o fim
E nunca volta atrás.
Porque nunca é tarde para corrigir os acertos e repetir os erros.
Eu fui
O seu maior.
O seu...

20/09/2012

Amor...

Entendi porque tanto falam do amor, porque tanto querem o amor. Falam do que não tem, querem o que não tem. O que é escasso, raro, é esperado, desejado, romantizado. É o amor, símbolo real do impossível perenal: até que uma morte nos separe, qualquer uma.

19/09/2012

Anel e outras circularidades

Anel
Aneurisma
Cordial.
Nada mal
Quando não se tem um ponto final.
Chega logo!

31/08/2012

Resposta a um certo soneto de Vinícius

E de repente nem se está ausente.
Pode ser presente,
Futuro reticente.
Mas só se o diálogo for diferente,
Se aprenderem a ser gente.
E nunca indiferente.
Que sejam amantes,
Errantes,
Inconstantes
E perdoantes.
Que sejam livres,
Que sejam leves,
A ponto do vento levar.
E voem para algum lugar.
Não deixem de arriscar!
Sem grudar,
Sem cobrar,
Sem pensar
Onde se vai chegar.
A graça está sempre em caminhar,
Ou voar.
E quando se quiser parar,
Que, então, se pare,
E, então, separe!
Não há culpa para quem entende o momento
E respeita seu próprio sentimento.
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Em homenagem aos amigos Thiago e Sabrina. Agosto de 2013.

25/08/2012

Novas relações familiares

Temos outras famílias. As mesmas, mas com maior liberdade individual interna, autonomia. E com um prazo de validade menor. As novas relações familiares não são pautadas mais, necessariamente, no casamento. O que não significa dizer que o casamento esteja em vias de extinção, ele mesmo vai modificar-se para sobreviver.
Por exemplo, um problema clássico das relações afetivo-amorosas é a infidelidade, que sempre coloca em cheque a própria relação. Hoje o controle social é digital/virtual/tecnológico e mais intenso que no passado. Meus avós e meus pais eram controlados pelos parentes e amigos de forma direta. Nós, por nem sabemos quem: "sorria, você está sendo filmado". Hojé há mais locais pagos destinados ao sexo. No passado, as relações extra-conjugais aconteciam com certa naturalidade e discrição. Vez ou outra alguém era flagrado num carro em lugar distante e deserto ou numa praça escura da cidade. Hoje as praças estão cercadas com grades e em suas redondezas a criminalidade e o consumo de drogas se instalaram. Lugares distantes já nem existem mais, embora o deserto tenha invadido nossas vidas. O deserto do real, que é angustiante e deseperançado. É o hoje como categoria existencial imperativa. E se não aproveitar, vira passado.
As famílias no Brasil foram, historicamente, tolerantes com relações extra-conjugais. Havia um consórcio entre Casa-Grande e Senzala, como diria Gilberto Freyre. A miscigenação é expressão clara de uma mistura racial que expressa também uma mistura social, uma mistura de classes que acontecia, em grande parte, fora do casamento. Hoje, como o controle social é mais intenso e eficiente e o diálogo sobre a qualidade da relação é mais constante, os cônjuges (ou companheiros) vão se tornando mais intolerantes às infidelidades e, por consequência, os casamentos vão se encurtando e se multiplicando. Ninguém mais quer viver aqueles antigos casamentos de fachada. Hoje a gente faz um rígido controle de qualidade da relação. E se não estiver funcionando bem, é reprovada e descartada, assim como os aparelhos eletrônicos hoje em dia. Não é o fim do casamento, haja vista que as pessoas se casam mais vezes ao longo da vida, mas uma reinterpretação do "até que a morte os separe". A vida útil do casamento encurtou.
Os filhos dos casamentos de hoje estão muito mais adaptados a essa nova realidade que as gerações mais antigas. O resultado é um conflito geracional quanto à visão sobre as novas relações familiares: os mais velhos acham que piorou e os mais novos, que agora é melhor.
Não há saudosismos aqui. Só constatações de mudanças nas familias brasileiras. São só mudanças. E você, o que acha?
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Na imagem, meus antepassados por parte de mãe, em foto tirada no início do século XX, provavelmente em Macaé/RJ. Ao centro, sentado, um dos pioneiros da família no Brasil, Robert (Bob) Reid.

24/08/2012

Excesso é uma droga!

Por muito tempo usei drogas,
Agora elas me usam.
E não sei onde vou parar.
Excesso é uma droga!

23/08/2012

Clima

Quando nuvens se aproximam,
Carregadas por você,
Abro minha caixa d'água,
Esperando chover.

Quando relâmpagos fotografam,
Minha cara de saudade,
Minha vontade de você,
Fico cego um momento,
Aguardando seu ruído.

E quando você chega na minha terra,
Molhando minha secura,
Adoçando minha amargura,
Faço lama com os pés
Para deitarmos e rolarmos.

22/08/2012

Dentro e fora

Vai lá fora ver se chove.
Aqui dentro está tudo molhado.
E nem sei nadar.

Vai lá fora ver o que se passa.
Aqui dentro, nada passa.
E não sei sair.
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Dentro e fora podem ser dois lados de uma mesma moeda: a porta pela qual se entra é a mesma pela qual se sai. Quando estamos dentro, vemos de forma idealizada o que está fora; já quando estamos fora, idealizamos o lado de dentro. Não há problema em idealizar. O problema está em não viver. Idealizar é humano! Permanecer no erro, desumano.

21/08/2012

Víbora é a mãe!

Um livro bom é aquele que nos faz perceber de modo diferente o que já achava que conhecíamos. Encontrei Hervé Bazin, pensando o que sinto. Numa das passagens do "revoltado" livro "De víbora na mão" (Vipère au Poing), seu primeiro livro, há uma frase ontológica: "Existe lugar melhor pra uma pessoa do que na família? Em qualquer outro lugar!"
E não é?