23/02/12

No aeroporto internacional

Vejo todos esses rostos
Como fragmentos da explosão da história
De cada um sobre mim.
São estilhaços espalhados
Por todos os lados,
Perpassados em mim.
E sangro a força da covardia
Que estufa meu peito,
Diante de tão grande agitação,
Como uma lata de sardinhas estragadas.
E passo mal com o cheiro nauseante
E o medo do aperto que me constrange.
São passos apressados,
Cabelos pintados,
Cheiros misturados,
Corpos desengonçados
E saudades encontradas.
Mesmo sem saber,
Está na cara comum de cada um,
De todos os desconhecidos.

2 comentários:

Maíra da Fonseca Ramos disse...

Já teci considerações semelhantes, apenas não escrevi... É mesmo isso um aeroporto.

André Filipe Santos disse...

A gente se sente tão frágil em meio a tantas diferenças, não é? Esse sentimento de fragilidade é muito bom pra reequilibrar o nosso ego! Precisamos viajar mais. E sozinhos, que é pra gente não se distrair com o conhecido e deixar de perceber os desconhecidos passantes. E pra podermos puxar assunto com um futuro ex-desconhecido. Que viajem! hahahahahahah
bjm.