05/04/2009

Nossos Rumos Meus

Olho pra trás e vejo um rastro.
Vejo um rabo.
Que está apegado a mim.
Penso que sou o hoje,
Mas descubro que sou o sempre.
O mesmo que fui,
Mas diferente.
Diferente do que era,
Mas de alguma maneira,
O mesmo.
O meu futuro?
Nem sei se virá.
Mas pra onde vou,
Depende de quem me acompanhar.
Sou o eu-outro contínuo e infinito.
Dependo de você,
Mesmo que você não saiba,
Mesmo que você não queira.

01/04/2009

Neck

Você sabe o que há de melhor nos cabelos longos?
A ocultação de um pescoço quase inexplorado.
Sabe o que há de melhor em cabelos curtos?
A exibição do pescoço.
No pescoço se escodem os odores naturais da pessoa:
Para o bem ou para o mal do olfato alheio.
Sabe porque algumas pessoas não gostam de pescoços?
Porque os veem como simples suportes de cabeça.
Valorizam mais a cabeça.
O que há por dentro dela
E o que há por fora.
Faces, olhos, bocas, narizes, cabelos e orelhas
São em geral mais valorizados que pescoços.
Cada um tem sua beleza:
Eu mesmo sou obcecado por orelhas.
Mas o que gosto nos pescoço é de sua humildade:
Ele some para valorização da cabeça.
Ele se esconde para valorização daquilo que está apoiado sobre ele.
Ele indica o caminho da beleza facial,
Com todos os seus componentes e acessórios.
Um pescoço não é apenas um suporte de cabeça.
Até porque nem todos têm cabeça.
Uma cabeça pode ser como uma cereja no bolo.
Eu prefiro o bolo.

20/03/2009

Revolução Cubana

A propósito dos 50 anos da Revolução Cubana, realizaremos dia 25/03, no Unicuritiba, uma palestra com o prof Renato Carneiro, professor de História da América Latina do curso de Relações Internacionais do Unicuritiba.
Nos vemos lá!

11/03/2009

Perder ou ganhar sozinho

Havia  uma brincadeira que meu pai sempre fazia sobre um amigo dele que era maratonista, que era dizer o seguinte em tom de deboche: "Fulano, chegou em segundo lugar na São Silvestre na categoria dele. (Pausa para a reação de surpresa do interlocutor) Só havia dois competidores". A brincadeira do jeito que era feita, com a ênfase que ele dava, se tornava mortal, todo mundo caía na risada. Mas é claro que se tratava de uma piadinha de mau gosto porque zombava da capacidade (ou até da competência) dos outros.
Hoje pensei numa possibilidade de modificar aquela piadinha do meu pai, dando um tom ainda mais dramático: e se o sujeito da piada em vez de competir com apenas um, competisse sozinho e ainda assim perdesse? Aí lembrei de outra brincadeira infame que ele costumava contar sobre outro amigo: "Beltrano candidatou-se a vereador e não teve nenhum voto. (De novo a famigerada pausa de uns cinco segundos para interlocução) Nem ele mesmo votou nele".
Talvez a idéia de competir sozinho não seja competir, já que competir pressupõe a presença de pelo menos duas pessoas. Disputar alguma coisa consigo mesmo e não alcançar um resultado positivo parece ser um atestado de incompetência. Isso mexe com a auto-estima. A falta de competidores coloca o competidor único numa condição de humilhação se ele não alcança um bom resultado. Essa derrota se torna uma derrota pessoal. Diferente da derrota imposta por um adversário mais capacitado, o que até alivia a consciência do derrotado. Afinal, quem tirou em primeiro lugar estava (pretensamente) melhor preparado!
E o pior é pensar na situação oposta, que mesmo ganhando ele seria humilhado. Quer dizer, se o competidor único ganhasse, apareceria algum sacana que diria: "mas também, com o gol vazio (sem adversários) até eu!"
Competir consigo mesmo deveria ser evitado e até proibido. Só gera traumas.
Mas como as derrotas também ensinam... Bola pra frente.

09/03/2009

Pra lá e pra cá

Pode ser por amor.
Pode ser por prazer.
Pode ser para sempre.
Ou até amanhã.
Pode dar alegria.
Ou preocupação.
Pode só começar.
Pode nem acontecer.
Pode ser muito rápido.
Pode ser devagar.
Quando duas pessoas se encontram,
E se curtem,
Tudo pode acontecer.
Pra lá e pra cá.
São duas expectativas distintas
Ou iguais.
Mas apesar de todas as diferenças,
Pode ser um gostoso presente,
Surpreendente.
Pra lá e pra cá.
Como o balanço do mar.
Essa poesia vai fora do tempo para dichavar.

08/03/2009

Mundo acelerado

Causa-me temor os avanços da contemporaneidade.
Esses avanços sobre mim.
E eu que não avanço, paraliso.
Fecho os olhos para não enjoar com a velocidade do mundo,
Para não enjoar da vida.
E sinto que vomitam em mim sem se importar.
Acho que isso é envelhecer.
__________________________________
Poesia sobre uma experiência nova e ingrata numa viagem de ônibus para São Paulo.

27/02/2009

Já morreu

Ele já morreu
E esqueceu de deitar.
Ele é muito magro.
É uma vara de pescar.

Ele mata aula
Sem necessidade,
Pois é inteligente.
Ele é um imbecil!

Ao retirar-se
Como umm bicho do mato
Os seus amigos
Gritam aleluia!
Aleluia! Aleluia!
.................................
Letra feita em parceria com o grande amigo Cristiano Barros Rangel (Rato) para homenagear um colega de classe do ensino médio, Elton Siqueira de Carvalho, que na época atendia pela alcunha de "Já Morreu", de tão magro que era. Saudades daquele tempo em Campos dos Goytacazes/RJ em que relógio era apenas enfeite de braço.

26/02/2009

Por quê Pagar?

Fui julgado pela polícia,
Fui liberto pelos ladrões.
Só não tenho pila
Pra pagar a luz.
Mas se eu não tenho nada,
Nem onde morar.
Por quê então pagar?
Por quê então pagar?
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Letra feita e cantada em parceira com meu primo Fábio Edval Reid Fernandes (Didi) em algum dia de 1992.

25/02/2009

Agente Laranja

Agente Laranja.
Agente Laranja.
Tente escapar
Desse espião.
Ele te pega andando
Ou deitado no colchão.

Agente Laranja.
Agente Laranja.
Ele é astuto
E é persistente.
Destrói os corações
E dilacera a sua mente.

Agente Laranja.

Agente Laranja.
É um herbicida

Que mata e deforma a vida.
Fica de olho sim!
Pois deixaram por aí!

Agente Laranja.
Agente Laranja.
Tente resistir
A esse pesticida
O Vietnam
Perdeu a sua vida.

Agente Laranja.
Agente Laranja.
Desfigura até a alma.
E a Mãe Santa
Inda nos pede calma!

Agente Laranja.
Agente Laranja.
Câncer geral
Em toda uma nação.
Violação.
Destruição.
Cadê os direitos do cidadão?
.......................................................................
Música escrita quando eu tinha 17 anos, em algum dia do ano de 1991.

24/02/2009

Amor no Caos!

Até o início da década de 1990 estava, junto com uns amigos, às voltas com a música e o ideário punk. Produzíamos fanzines em papel com temática política anarquista e ouvíamos músicas punk e hardcore praticamente o dia todo. Era nossa trilha sonoro existencial, acompanhando a tendência de atomização do indivíduo produzida pelo caos urbano das grandes cidades, apesar de morarmos em cidade de interior. Naquela época escrevíamos algumas letras de músicas e gravávamos algumas dessas músicas em fitas k7, tocando em "estúdio" improvisado no quarto de alguém. Para desespero dos vizinhos. Alguns desses arremedos de letras e de músicas sobreviveram aos anos e estão dispersos em fragmentos amarrotados e rabiscados de papel que se amontoam numa velha pasta azul e em velhas fitas k7, recentemente encontradas e transformadas em CD para melhor preservação do áudio. O som era é tão cru quanto nossa formação musical e o clima era de pura descontração. Liberdade e contestação típicas da adolescência. Para não deixar morrer a memória daquele contexto, vou publicar algumas letras e textos produzidos por aquela garotada. Naquela época as abordagens das letras transitavam predominantemente entre nacionalismo e anarquismo, mas não é raro encontrar também críticas à sociedade de consumo ou à erotização da adolescência e juventude. Publicar os textos daquele época talvez seja interessante também para compara-los com os escritos mais recentes e estabelecer pontos de conexão e ruptura entre esses momentos históricos distintos. Mas não há dúvida de que aquele período exerceu certa influência em minha trajetória acadêmica, particularmente em minha opção pelas Ciências Sociais.
Começo com a letra da música Amor no Caos, escrita no início dos anos 90.

Em cada casa
Caos!
Pelas ruas
Caos!
Pelas cidades
Caos!
No coração
Amor ao Brasil
No caos!
Amor no Caos!
Amor no Caos!
...................................
Letra escrita em algum dia de 1991.