20/11/2008

Consciência negra

Em 20/11/1998 escrevi o seguinte:

Violência,
Embarque,
Travessia,
Desembarque,
Separação
E dominação.

Violência,
Resistência,
Massacre,
Liberdade,
Segregação
E humilhação.

Violência.
Depois de tanta violência
Ouve-se a voz da consciência:
Daquele que grita,
Que exige,
Faz manifestação
E irrita.
E irrita porque o processo
É histórico,
Rígido,
Conservador...

Mas grita
E exige
Reparação:
Do sangue derramado;
Do pescoço degolado;
Do chicote estalado;
Do crime praticado.
Praticando violência;
Tomando consciência:
De seu valor,
De seu suor,
De seu passado,
De sua dor
E de sua cor.

Negro,
Teu sangue,
Vermelho,
Igual ao meu,
É que te dá valor.

25/10/2008

Beijos de chocolate

A mesma pessoa para quem escrevi a poesia postada ontem, mereceu outros poemitos de minha lavra. Todos eles estão guardados na pasta verde. O que publico agora foi escrito no dia 19/09/1996, a partir da experiência dos primeiros beijos trocados com ela. Faz tempo!

A gomos de mexerica,
Os teus lábios eu comparo.
Nessa doce cobertura...
Me acabo.

Seus doces gominhos mordo
Sem caroços encontrar.
Mas a calda de chocolate,
Teremos que repassar.

Entre sons e o silêncio,
Consegui encontrar
Sua língua pra me firmar.
Mas a sua também parece
Um sustento procurar.

Quantas vezes a beijar
Tantas vezes vou lembrar
Que nesse grande dia,
Os meus lábios foram adocicados
Por gomos achocolatados.

24/10/2008

Lábia pra quê?

Andei desenterrando alguns escritos antigos que estavam guardados numa pasta verde de plástico. Encontrei, por exemplo, uma poesia que fiz para uma paquera e que publico abaixo:

A língua afiada de um lagarto incauto,
Acaba o levando a um lúgubre lugar.

Oh...
Mulher incomum:
De curvas arrojadas,
Do cabelo encaracolado,
De óculos alaranjados,
Dos olhos arredondados
E dos lindos lábios lambeiros.

Não deixe que o ludibriante
Também consiga te levar.

Com laçadas apertadas
E carícias embaladas,
Com lúcidas lambidas
E com o embolar de nossas línguas,
Conquistarei o teu amor.
Eu tenho lábios.
_____________
Essa foi escrita em 24/10/1996. Fernando Pessoa tinha razão: apaixonados somos ridículos! Mas é necessário.

20/09/2008

A casa

A casa é só um desenho.
A casa é um projeto
Erigido e executado no papel.
Tinta sobre o nada,
Nada sobre nada,
Nada sobe não.
Só sonho
E ilusão.
Propriedade sem razão.
A própria idade
Impede a execução.
Fica no papel e cai no lixo,
Propriedade dos outros,
Terra do patrão.
E a vida segue sem razão,
Mas também sem ilusão.
Sem achar que um dia se consiga, então
A tão sonhada realização:
Cercar a terra,
Prender o mato
E matar a vida,
Que parada fica.
Estagnada lida:
Tudo aqui,
Sem poder sair.
Viva o sereno,
O ar no rosto!
Nele não há veneno,
Não há imposto.
$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$
Esse poema é basicamente sobre meu temor de enraizar-me! Considero sempre a necessidade de circular. E no quanto uma propriedade imobiliza.

06/08/2008

Coração disparado

Meu coração parece não caber em mim,
Parece que vai sair pela boca.
A ansiedade parece que reduz a carcaça e expande os órgãos.
Tenho vontade de gritar.
Vai dar tudo certo?!

05/08/2008

Muda mudando

Foi a vida lá fora
Que mudou tudo aqui:
Outra expectativa,
Nova vida.
Sem medos,
Nem dengos,
Nem pudores.
Só prazeres.

30/07/2008

Sobre orgulho próprio

Há um provérbio bíblico que traz uma ilustração sobre cães que voltam ao próprio vômito. A passagem diz o seguinte: "Como o cão que volta ao seu próprio vômito, assim é o insensato que reitera a sua estultícia". Em palavras contemporâneas ficaria mais ou menos assim: "O tolo que faz uma tolice pela segunda vez é como um cachorro que volta ao seu próprio vômito". Penso que pode ser que em momentos de extrema fome talvez um cão lamba seu próprio vômito. Ou talvez um cachorro com algum tipo de doença. Mas como o objetivo dessa postagem não é fazer uma reflexão sobre cachorros, e nem sobre vômitos, acho que hoje entendi o significado de um provérbio como esse: provavelmente o sábio provérbio esteja falando mesmo é de orgulho próprio. Às vezes associamos o orgulho a um sentimento negativo. Mas quem disse que não é bom ter orgulho? E aí entendo esse orgulho como amor próprio, valorização de si mesmo, auto-estima equilibrada. Cometer duas vezes o mesmo erro é tão repugnante quanto lamber o próprio vômito. Sentir falta de quem não sente a sua falta (ou não demonstra sentir a sua falta) pode ser também um sinal de algum tipo de fome (carência) ou de doença. Ou pode ser uma relação sado-masoquista. Afinal, há quem goste. A quem interessar possa. Viva a liberdade de pensamento e de expressão!

05/05/2008

Viver-Sonhar-Viver

Se a vida não fosse como é...
Seria igual.
Como faz falta sonhar!
Imaginar e desejar
Uma outra vida,
Um outro lugar.
Pensar que as coisas estão como estão,
Mas não são.
Querer mudar.
Pra lá,
Pra cá...
Fugir de si.
E encontrar-se no outro.
Mesmo que um novo outro.
Produzir um novo eu.
Re - co - me - çar !
Viver...
Sonhar...
Viver-Sonhar!

24/04/2008

Carta a um amigo

Querido amigo,
Sinto-me participante da dor que você provocou e da que com certeza sentiu, e talvez ainda esteja sentindo, com tudo que passou. Sinto-me também culpado, achando que a nossa distância talvez tenha criado oportunidade para que tudo acontecesse desse jeito. Afinal, éramos tão unidos e presentes na vida um do outro... Fico pensando, "quem sabe se eu estivesse por perto"... Ou, "se eu procurasse mais os meus amigos"... Dizem que não devo carregar essa culpa, mas fico preferindo explicações que me coloque como co-participante das dores de vocês. E não consigo participar das consequencias sem também participar das causas. Fico achando que meu sentimento é incompleto, que minha omissão foi ainda maior.
Estou escrevendo para me desculpar pela ausência e para exortá-lo a erguer a cabeça e buscar acertar. A corrigir de vez os erros, afastando-se das causas, e recomeçar. Sei que recomeçar no mesmo lugar é difícil porque as coisas e as pessoas não nos deixam esquecer nossos erros. Por isso, sou a favor de radicalismos para a reconstrução da vida. Pois corrigir-se é dar meia volta, é mudar de rumo. E é também lançar tudo para o alto e recomeçar de novo outra vez. O pleonasmo é para reforçar a necessidade de zerar, de apagar e (re)começar. Sei, por experiência própria, que essa é uma atitude decisiva para quem quer recomeçar e que, embora pareça transloucada, trará consequências maravilhosas. Basta esperar.
Sinto muito!
Fuja para recomeçar!

29/02/2008

Homenagem


Hoje estou sendo homenageado pela turma de Servico Social que ingressou na UFES em 2004, da qual fui professor de Sociologia I. Foi uma turma marcante porque carinhosa e estudiosa. E olha que eu peguei pesado com eles, dando teorias sociológicas para análise das desigualdades sociais. Mas pelo jeito valeu a pena todo o esforço. Desejo todo sucesso pessoal a esses novos profissionais dedicados a minorar os problemas sociais brasileiros.
UM BRINDE A VOCES!!!