Tenho dito,
Com o interdito,
O vazio existencial existe.
Ele é inconsciente.
Mas se sente presente,
Angustiadamente.
10/05/2012
09/05/2012
08/05/2012
Vida longa às borboletas!
No tempo das borboletas,
Não se voava muito longe do chão.
Mas a esperança nunca morria
E a alegria estava no olhar.
Ou numa piscadela.
Quando as borboletas voavam,
As mãos se levantavam
E os corações se entrelaçavam,
Esperando-as voltar
Com as notícias sobre o que viram no fim.
Se casulos não prendem borboletas,
Pauladas não as derrubam!
E ainda há quem as vê por aí,
E que siga atrás delas.
.................................................
Homenagem às memórias das irmãs Mirabal, assassinadas a pauladas, em 1960, durante a ditadura do presidente Trujillo, na República Dominicana. E a todas as demais memórias que ficaram fragmentadas e espalhadas por aí. Não se pode prender as borboletas. Nem se deve deixar prender por elas. Quando as borboletas (as idéias) voam, na realidade se confundem os olhos. E a vida passa mais devagar, só pra vê-las passar. Não há saudade que traga de volta o que passou! E olhar de frente pra trás é reverenciar a memória, é louvar a beleza que ficou gravada numa vida curta. O filme "No tempo das borboletas" (2001) retrata parte da vida (e da morte) das irmãs Mirabal.
Não se voava muito longe do chão.
Mas a esperança nunca morria
E a alegria estava no olhar.
Ou numa piscadela.
Quando as borboletas voavam,
As mãos se levantavam
E os corações se entrelaçavam,
Esperando-as voltar
Com as notícias sobre o que viram no fim.
Se casulos não prendem borboletas,
Pauladas não as derrubam!
E ainda há quem as vê por aí,
E que siga atrás delas.
.................................................
Homenagem às memórias das irmãs Mirabal, assassinadas a pauladas, em 1960, durante a ditadura do presidente Trujillo, na República Dominicana. E a todas as demais memórias que ficaram fragmentadas e espalhadas por aí. Não se pode prender as borboletas. Nem se deve deixar prender por elas. Quando as borboletas (as idéias) voam, na realidade se confundem os olhos. E a vida passa mais devagar, só pra vê-las passar. Não há saudade que traga de volta o que passou! E olhar de frente pra trás é reverenciar a memória, é louvar a beleza que ficou gravada numa vida curta. O filme "No tempo das borboletas" (2001) retrata parte da vida (e da morte) das irmãs Mirabal.
07/05/2012
Estamos juntos
Estamos juntos.
Mesmo sem saber.
Estamos juntos na mesma dor que nos separa.
E repara enquanto dá,
Pra não perder o que se tem,
Tempo.
O valor da vida não está no sopro,
Mas no espasmo que nos afasta.
Abra os olhos,
Estamos juntos.
Quando a gente fica doente,
A gente precisa de toda calma,
De muita alma
(Zelosa)
Ao lado
De fora pra dentro,
Pra diminuir o tormento.
Quando a gente fica doente,
A gente enfraquece,
Amolece.
E cresce,
Porque se reconhece.
Estamos todos doentes,
Somos todos carentes.
E não sabemos o que estamos esperando.
Para abrir os olhos e olhar em volta de si.
E juntar forças.
# # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # #
Estamos Juntos (2011) é um longa-metragem nacional que mostra a vida, em sua complexidade, naquilo que há de mais humano: a solidariedade da dor e a solidariedade na dor. A dor é a condição mais humana que existe. E quando da dor nasce a solidariedade, entramos no campo do sobrehumano. O fillme mostra diferentes dramas vividos individualmente que são a matéria-prima para a superação do atomismo do indivíduo numa sociedade de consumo, em que nos tornamos sujeitos-objetos a serem consumidos. Mas se há algo que nos consome é ter de equilibrar tantas expectativas (nossas e alheias) sobre uma cabeça tão pequena quanto o mundinho em que nos fechamos. São dores vividas, por todos os lados, e não as sentimos como deveríamos. E devemos (sem conseguir pagar) o preço da solidão à nossa incapacidade de olhar, de se ocupar. o verbo ocupar é parte importante do filme, que mostra a ocupação de casas pelos membros dos movimentos sociais de luta pelo direito à habitação, como um outro tipo de dor que gera solidariedade. A solidariedade da luta.
Ocupar e viver
Ocupar a vida
E me ocupar de você.
Como quem sabe que viver é se ocupar.
E quem não se ocupa de alguém,
Culpa a vida pelo que vem.
Ocupação é compreensão do direito de viver,
Ocupando cada espaço da vida social.
Mas quando não se entende o sentido da ocupação,
A luta da vida parece em vão,
Parece mera ocupação (do tempo).
Mesmo sem saber.
Estamos juntos na mesma dor que nos separa.
E repara enquanto dá,
Pra não perder o que se tem,
Tempo.
O valor da vida não está no sopro,
Mas no espasmo que nos afasta.
Abra os olhos,
Estamos juntos.
Quando a gente fica doente,
A gente precisa de toda calma,
De muita alma
(Zelosa)
Ao lado
De fora pra dentro,
Pra diminuir o tormento.
Quando a gente fica doente,
A gente enfraquece,
Amolece.
E cresce,
Porque se reconhece.
Estamos todos doentes,
Somos todos carentes.
E não sabemos o que estamos esperando.
Para abrir os olhos e olhar em volta de si.
E juntar forças.
# # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # #
Estamos Juntos (2011) é um longa-metragem nacional que mostra a vida, em sua complexidade, naquilo que há de mais humano: a solidariedade da dor e a solidariedade na dor. A dor é a condição mais humana que existe. E quando da dor nasce a solidariedade, entramos no campo do sobrehumano. O fillme mostra diferentes dramas vividos individualmente que são a matéria-prima para a superação do atomismo do indivíduo numa sociedade de consumo, em que nos tornamos sujeitos-objetos a serem consumidos. Mas se há algo que nos consome é ter de equilibrar tantas expectativas (nossas e alheias) sobre uma cabeça tão pequena quanto o mundinho em que nos fechamos. São dores vividas, por todos os lados, e não as sentimos como deveríamos. E devemos (sem conseguir pagar) o preço da solidão à nossa incapacidade de olhar, de se ocupar. o verbo ocupar é parte importante do filme, que mostra a ocupação de casas pelos membros dos movimentos sociais de luta pelo direito à habitação, como um outro tipo de dor que gera solidariedade. A solidariedade da luta.
Ocupar e viver
Ocupar a vida
E me ocupar de você.
Como quem sabe que viver é se ocupar.
E quem não se ocupa de alguém,
Culpa a vida pelo que vem.
Ocupação é compreensão do direito de viver,
Ocupando cada espaço da vida social.
Mas quando não se entende o sentido da ocupação,
A luta da vida parece em vão,
Parece mera ocupação (do tempo).
06/05/2012
Luz da lua cheia que me acerta em cheio
Lua cheia
De encanto
E me tranco,
Em meu canto,
Esperando essa fase passar.
Fecho os olhos pra não sentir,
Pra não sucumbir,
À velocidade da luz,
Que queima minha pele
E fere minha retina,
Quebra minha rotina.
Em geral sou doce,
Como um doce,
Como você,
Mas essa luz da lua cheia,
Que me acerta em cheio,
Esvazia meu peito de você
E me enche de saudade de mim.
E me faz descontroladamente carente,
Deprimente.
Fecho as cortinas e evito a janela para não me expor
A um contato transformador
Do meu eu-interior
Em um bicho que não sou capaz de controlar,
Mas tenho que carregar:
Um ser do outro o algoz
Por um comportamento sem voz
Que me destina a matar
Quem mais quero;
Preservar
E matar
Parecem conviver
Até o anoitecer,
Quando tenho que me recolher
E me prender nas correntes
Que me chocam
E libertam você de mim.
_____________________________
Homem lobo
do homem
lobisomen.
"Carrasco de si mesmo", como diria Baudelaire.
E nem sempre é isso que se quer.
De encanto
E me tranco,
Em meu canto,
Esperando essa fase passar.
Fecho os olhos pra não sentir,
Pra não sucumbir,
À velocidade da luz,
Que queima minha pele
E fere minha retina,
Quebra minha rotina.
Em geral sou doce,
Como um doce,
Como você,
Mas essa luz da lua cheia,
Que me acerta em cheio,
Esvazia meu peito de você
E me enche de saudade de mim.
E me faz descontroladamente carente,
Deprimente.
Fecho as cortinas e evito a janela para não me expor
A um contato transformador
Do meu eu-interior
Em um bicho que não sou capaz de controlar,
Mas tenho que carregar:
Um ser do outro o algoz
Por um comportamento sem voz
Que me destina a matar
Quem mais quero;
Preservar
E matar
Parecem conviver
Até o anoitecer,
Quando tenho que me recolher
E me prender nas correntes
Que me chocam
E libertam você de mim.
_____________________________
Homem lobo
do homem
lobisomen.
"Carrasco de si mesmo", como diria Baudelaire.
E nem sempre é isso que se quer.
05/05/2012
04/05/2012
Direito fundamental a sonhar
Há um sonho que não me deixa
Acordar,
Viver
E ver.
Esse sonho é fundamental viver.
E acordar parece compreender
O que falta,
Tanta falta
Faz
Parecer ilusão
De ser
Sem poder.
Há um direito fundamental
A sonhar.
Sem esperar
Sançoes,
Senões.
Há um direito que não me indireita.
E me faz voar
Pra outro lugar
Que não aqui,
Que não sei se há de vir.
E se não vier já terei sonhado,
Já terei vivido.
Acordar,
Viver
E ver.
Esse sonho é fundamental viver.
E acordar parece compreender
O que falta,
Tanta falta
Faz
Parecer ilusão
De ser
Sem poder.
Há um direito fundamental
A sonhar.
Sem esperar
Sançoes,
Senões.
Há um direito que não me indireita.
E me faz voar
Pra outro lugar
Que não aqui,
Que não sei se há de vir.
E se não vier já terei sonhado,
Já terei vivido.
03/05/2012
Ser adulto civilizado
Maturidade é auto-constrição,
Auto-anulação,
É usar a liberdade pra se ferir,
Pra se castrar.
E aprisionar-se
Num mundo cinza,
De poucos sorrisos.
E a criança que vivia,
Deixa de existir,
Porque é torturada,
Exterminada,
Até não mais chorar.
Pra adequação à realidade,
Pra perder a felicidade
E parar de sonhar
Sem limites.
Civilizar-se é limitar-se
Às paredes da alma criada pra nós,
É matar o animal que há em nós.
Pra quem já matou uma criança,
O animal é pinto!
====================================
Luiz Fernando Veríssimo escreveu o seguinte sobre o processo de se tornar adulto: "Depois de uma certa idade a gente só enxerga os pés de longe, lá embaixo… e nós já fomos tão íntimos! Quando eu era bebê brincava com meus pés. Mordia, lambia. Depois nunca mais estivemos tão próximos. Às vezes tento visitá-los, mas a coluna não deixa. Viver é ir lentamente se distanciando dos pés."
Auto-anulação,
É usar a liberdade pra se ferir,
Pra se castrar.
E aprisionar-se
Num mundo cinza,
De poucos sorrisos.
E a criança que vivia,
Deixa de existir,
Porque é torturada,
Exterminada,
Até não mais chorar.
Pra adequação à realidade,
Pra perder a felicidade
E parar de sonhar
Sem limites.
Civilizar-se é limitar-se
Às paredes da alma criada pra nós,
É matar o animal que há em nós.
Pra quem já matou uma criança,
O animal é pinto!
====================================
Luiz Fernando Veríssimo escreveu o seguinte sobre o processo de se tornar adulto: "Depois de uma certa idade a gente só enxerga os pés de longe, lá embaixo… e nós já fomos tão íntimos! Quando eu era bebê brincava com meus pés. Mordia, lambia. Depois nunca mais estivemos tão próximos. Às vezes tento visitá-los, mas a coluna não deixa. Viver é ir lentamente se distanciando dos pés."
02/05/2012
Pra que esperar se se pode desesperar?
Você não consegue esperar pelo que não se espera.
E sem esperar, sem esperança, se espanta,
Se aperta.
Esperta, espera passar o desespero.
Mas ele não passa nem pela porta de casa,
E continua sem esperar nada além disso,
Sem tomar partido,
E sem toma-la pelos braços,
E abraça-la,
Sem beijá-la
E amá-la...
E o tormento indesejado,
Inesperado,
Espera ocasião pra esperar seu fim.
Sem esperança de ser alguém.
E sem esperar, sem esperança, se espanta,
Se aperta.
Esperta, espera passar o desespero.
Mas ele não passa nem pela porta de casa,
E continua sem esperar nada além disso,
Sem tomar partido,
E sem toma-la pelos braços,
E abraça-la,
Sem beijá-la
E amá-la...
E o tormento indesejado,
Inesperado,
Espera ocasião pra esperar seu fim.
Sem esperança de ser alguém.
01/05/2012
Piolho
Nem me lembro que tenho cabelo.
Senão quando um piolho vem pedir meu carinho.
Mas me nego a dar o que quer,
Até que ouço seu lamento
E me comovo.
Mas não me movo.
Só, sofro.
E deixo o sangue manchar minha cabeça.
Não há mais peleja.
Tudo foi perdido,
Foi passado.
Senão quando um piolho vem pedir meu carinho.
Mas me nego a dar o que quer,
Até que ouço seu lamento
E me comovo.
Mas não me movo.
Só, sofro.
E deixo o sangue manchar minha cabeça.
Não há mais peleja.
Tudo foi perdido,
Foi passado.







